Um Roriz em Valparaíso

“Não vejo a candidatura como projeto pessoal. Meu único projeto é fazer o bem”.
Foto: Lorrane Oliveira

Filho de Zequinha, ex-prefeito de Luziânia e de Valparaíso, e sobrinho de Joaquim (1936-2018), ex-governador do DF por quatro vezes, Paulo Roriz, 61 anos, que ocupa pela terceira vez o cargo de secretário do Entorno do DF, transferiu o título de eleitor para Goiás e pretende disputar a eleição para prefeito de Valparaíso no próximo ano.

Aliado dos governadores Ibaneis Rocha (MDB) e Ronaldo Caiado (DEM), ele conta com o apoio dos dois chefes de Executivos estaduais para chegar à Prefeitura. “Eu pretendo concorrer às eleições e, para isso, estamos construindo uma grande coligação que possa trazer desenvolvimento para Valparaíso. Não vejo a candidatura como projeto pessoal. Meu único projeto é fazer o bem”, diz ele nesta entrevista exclusiva ao Brasília Capital.

Nascido em Luziânia e profundo conhecedor do Entorno do DF, o ex-deputado distrital (2006-2010) acumula experiência em várias áreas do governo, além de ser um empresário de sucesso. No GDF, presidiu a Codhab e foi administrador de Santa Maria. Ele aponta a Saúde e o Transporte como os principais problemas de Valparaíso. Caso se eleja, promete reformular e equipar o hospital municipal e trabalhará para implantação do VLT, ligando o Entorno Sul a Brasília, além de outras alternativas, como uma pista marginal à BR-040.

“Já fui deputado, já fui secretário. Então, eu sei como viabilizar recursos dos governos estaduais e federal para Valparaíso. Basta vontade política e ser amigo dos dois governadores”, garante.

“Então, modestamente, a gente tem uma experiência administrativa um pouco vasta. Mas nunca tinha pensado em ser candidato em Valparaíso. Surgiu naturalmente”. Foto: Lorrane Oliveira

Você assumiu, recentemente, uma pré-candidatura a prefeito de Valparaíso de Goiás. Como anda essa empreitada? – A ideia de ser candidato surgiu há 90 dias e, para ser sincero, eu nunca havia imaginado, na minha vida política, que tem 22 anos, disputar eleição fora de Brasília. Já fui presidente do PMDB Jovem de Luziânia, acompanhei as candidaturas do meu pai a prefeito em Luziânia, durante dois mandatos, e a deputado estadual duas vezes; acompanhei a trajetória política do meu tio, Joaquim Roriz. Então, assim a gente fez muita política em Goiás. Mas a partir do momento em que resolvemos fazer política em Brasília, fui candidato, pela primeira vez, a deputado distrital em 2002. Tive 4.822 votos, fiquei na segunda suplência do PFL. Em 2006, fui eleito, fui líder do governo do Arruda, presidente da CEOF e da CCJ. Depois, o governador me convidou para assumir a Secretaria de Habitação e fui presidente da CODHAB, secretário do Entorno de Roriz e, o mais importante, administrador de Santa Maria durante um ano. Quem acompanhou minha gestão em Santa Maria sabe a diferença que eu fiz na cidade. Então, modestamente, a gente tem uma experiência administrativa um pouco vasta. Mas nunca tinha pensado em ser candidato em Valparaíso. Surgiu naturalmente.

Então não é um candidato de si mesmo. Você terá o apoio dos governadores do DF, Ibaneis Rocha, e, de Goiás, Ronaldo Caiado. Isso está fechado? – Está fechado. No último dia 5 de outubro, estive em reunião com o governador Caiado, exatamente, para conversar sobre as eleições do Entorno. Fomos em uma comitiva de ex-prefeitos de Valparaíso, com José Valdecio (PTB) e Adolfo Lopes (PRTB) para conversar mais sobre os assuntos da cidade e discutir uma possível candidatura.

Caso seja viabilizada sua pré-candidatura a prefeito, quais são os problemas mais graves que você observa em Valparaíso e o que você teria de propostas para resolver? – Tem dois problemas muito graves na região da nossa Valparaíso: a Saúde, que é muito precária; e o transporte. O transporte de Valparaíso para quem tem de vir trabalhar em Brasília é um sofrimento.

Mas, como secretário do Entorno, você está à frente do projeto do VLT ligando o DF ao Entorno Sul… – Só para concluir a respeito da Saúde: Nós temos uma UPA que funciona melhor do que hospital, bem regulada. Precisamos investir e equipar o hospital. Sobre o transporte rodoviário de Valparaíso para Brasília e vice-versa, estamos com o projeto do VLT, que, tecnicamente do que está redondo. Agora entrou na parte política, que é quando a gente sente um pouquinho de desconforto. É aí que as coisas travam, porque depende dos dois governadores e do governo federal. Quando depende de apenas um governo já é lento, imagina quando envolve três governos!

Mas em que ponto parou o início dos testes com passageiros? – Está um pouco travado por questões políticas. Tecnicamente, está tudo acertado. Temos até fim de novembro para responder sobre a vinda dos três vagões, que estão em Pernambuco. Se não sair nada, acaba o contrato e pode acontecer até de os trens saírem desse nosso programa. Conversarei com o governador Caiado a respeito disso em Goiânia. Seriam duas viagens por dia, uma ida saindo de Valparaíso no 5h30 da manhã e a volta sairia de Brasília por volta das 18h. Eu vou resolver esse problema. Se não como secretário, vou resolver como prefeito (risos).

“Eu vou resolver esse problema. Se não como secretário, vou resolver como prefeito (risos)”. Foto: Lorrane Oliveira

Já é uma promessa de campanha? – Independentemente de candidatura, na condição de secretário de Desenvolvimento da Região Metropolitana do DF, é uma missão que tenho. O meu maior compromisso com Valparaíso é levar o trem.

Valparaíso, assim como outras do Entorno, é uma cidade-dormitório. Essa questão do transporte para Brasília é prioridade, mas sempre reforça a dependência econômica em relação à capital. Como prefeito, você teria algum programa para incentivar a criação de empregos em Valparaíso? – Como homem público, tenho programas que vão ajudar no desenvolvimento da região. Temos uma pesquisa da Codeplan que mostra todos os perfis socioeconômicos do Entorno. Quais as estimativas populacionais, quantos mil habitantes tem em cada região, a renda per capita de cada município. Hoje, Valparaíso, depois de Luziânia e Águas Lindas, é o maior município do Entorno e o oitavo do Estado de Goiás em população, com quase 200 mil moradores. O município não tem mais nem área rural, só urbana. Então, vamos usar muito esses dados da Codeplan para formular nossa proposta de governo.

Mas, como cidadão, o que o sr. percebe ser possível fazer para reduzir essa dependência do Entorno em relação a Brasília? – Conhecemos bem a região e temos a vontade política de resolver os problemas das pessoas. Um deles, como já disse, é melhorar o transporte. Se não viabilizar o VLT, temos de criar outra alternativa. Uma que vejo é a criação de uma rodovia independente, ou construção uma marginal na BR-040. Se resolver o problema do trevo de Santa Maria, por exemplo, um viaduto muito mal feito, já adianta bem o trânsito.

Estamos falando do ir e vir para o DF para as pessoas trabalharem aqui. Mas vocês têm algum estudo que fale qual é a vocação econômica de Valparaíso? – Por ser um município exclusivamente urbano, necessariamente precisa reforçar o comércio e os serviços. É nisto que investiremos.

Mesmo com as novas regras eleitorais, que proíbem coligações, como o seu partido, o DEM, está se estruturando em Valparaíso? – Estamos conversando com o MDB, já conversamos com o PT, com o PSB, e com o Podemos. Estamos viabilizando um grande entendimento com o maior número possível de partidos. Eleição municipal se ganha com candidato a vereador e com partidos organizados. Vamos formar uma chapa forte de vereadores. Já temos apoio dos ex-prefeitos José Valdecio e Juarez Sarmento; do Adolfo Lopes, ex-vice-prefeito; do Rogério Meireles, que foi candidato a vice. Estamos procurando viabilizar a frente de oposição ao atual governo do PSDB.

O que o levou a liderar essa frente contra o prefeito Pábio Mossoró? – Não temos nada pessoal contra o prefeito, mas Valparaíso está parada no tempo há 20 anos.

Também é pelo fato de ele ser ligado ao ex-governador Marconi Perillo? – Sim, sem dúvida. Ele também tem o apoio da deputada Leda Borges (PSDB), e tem a máquina municipal na mão. Então, vai ser uma eleição disputada. Sabemos da dificuldade, mas o mais importante é que de estou com vontade política. E na política é assim: 50% tem de ser vontade. Estou com disposição para fazer, mas dentro de um grande entendimento. Não vou passar o carro na frente dos bois. Tudo tem de ser medido e conversado. Se eu tiver o apoio dos governadores Ibaneis e Caiado, vou à luta, pois não adianta ser candidato numa cidade que depende extremamente do estado. Sem o apoio dos dois governadores não se consegue fazer nada.

“Eu quero, tenho muita vontade, estou com muita disposição. Quero ganhar a eleição de prefeito com toda a população para que possamos assumir essa responsabilidade juntos”. Foto: Lorrane Oliveira

Qual mensagem você manda para as pessoas que daqui a poucos meses vão começar a lhe ouvir pedindo voto? – Quero dizer aos meus amigos de Valparaíso que conheço a região. Há 28 anos minhas empresas fazem distribuição na cidade. Conheço cada um dos 1.400 pontos de venda, desde o boteco pequeno, a padaria até um atacadão. Meu pai foi prefeito e ajudamos muito. A lei de emancipação de Valparaíso foi meu pai que fez. O mais importante é dizer que quero ser prefeito, mas de uma grande coligação que possa trazer desenvolvimento para Valparaíso. Não vejo a candidatura como projeto pessoal. Meu único projeto é fazer o bem e trazer desenvolvimento para Valparaíso. Basta saber fazer as coisas, buscar recursos do governo federal. Isso eu sei fazer. Já fui deputado, já fui secretário. Então, a gente consegue viabilizar recursos. Mas quem vai resolver é a população. Eu quero, tenho muita vontade, estou com muita disposição. Quero ganhar a eleição de prefeito com toda a população para que possamos assumir essa responsabilidade juntos. Não é só minha. Eu quero que todo mundo dentro do município assuma o compromisso de renovar. Temos problemas seríssimos. Precisamos melhorar o trânsito, a saúde, a segurança. Temos uma área chamada Pacaembu, por exemplo, que é perigosíssima. Precisamos melhorar. Tem muita coisa para fazer. Basta vontade política e ser amigo dos dois governadores.

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