Tratamento oncológico no DF: para onde vamos?

O desejo de todos nós é que a saúde pública do Distrito Federal alcance novo patamar, com atendimento digno à população e condições adequadas de trabalho ao conjunto dos trabalhadores da saúde. Algumas áreas são especialmente sensíveis nesse campo, como quando o caso é o tratamento do câncer.

Foi por isso, por exemplo, que se deu a mobilização social pela assistência às crianças portadoras de câncer e hemopatias que levou a Abrace a construir, e depois entregar ao Governo do Distrito Federal, o Hospital da Criança de Brasília. Um exemplo positivo, hoje em dia sobrecarregado e sendo desviado de sua função original para receber o fluxo do atendimento pediátrico de emergências não complexas – o que cria uma certa preocupação na comunidade de pediatras da cidade.

Nos últimos meses, três outras situações que envolvem a questão da gestão no atendimento oncológico chamam a atenção: primeiro, temos a notícia da fila zerada da cirurgia de câncer urológico no Hospital Regional de Sobradinho (HRS). Feito que merece cumprimentos e que para ser alcançado teve o incremento de mais um cirurgião, de dois anestesistas na equipe médica e informatização da fila de espera – contratação e modernização de processos, feitas em uma unidade de saúde 100% pública.

No espectro negativo da prestação de assistência ao portador de câncer, a imprensa nos informa que a falta de Carboplatina provocou interrupção no tratamento quimioterápico do Hospital de Base, que corre para recompor o estoque enquanto pacientes (que se supõe serem pessoas sem muitos recursos financeiros) são obrigados a adquirir a medicação.

É necessário esclarecer que é um medicamento caro para o padrão de renda do brasileiro, mas de uso corrente no tratamento de câncer desde a década de 1990 e produzido em versão genérica desde 2004. Demonstra-se, mais uma vez, que a gestão terceirizada do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF não é à prova de falhas. Torcemos para que o abastecimento se normalize o quanto antes, pelo bem dos pacientes que aguardam.

Outra situação que vai nos trazer parâmetros para comparações será o desempenho do Hospital de Base do DF e do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) no Plano de Expansão da Redioterapia, pelo qual o Ministério da Saúde vai dotar as duas unidades de novos aceleradores lineares para tratamento de radioterápico. No HRT, as obras do bunker (a estrutura subterrânea necessária para instalação do equipamento) começaram em 7 de janeiro e o governador anunciou que será entregue antes até da previsão original. No Hospital de Base, o aparelho de cobaltoterapia obsoleto será substituído por um novo acelerador, mas não se tem notícia do processo de aquisição ou das obras.

No Hospital Universitário de Brasília, que também participou do programa, a obra começou em 19 de abril de 2016 e a inauguração ocorreu em 27 de novembro de 2018. Se o objetivo foi esse ou não, o governo do DF, favorável às terceirizações, está apostando uma corrida consigo mesmo. Tomara que a população e os trabalhadores da saúde tenham motivos para comemorar os resultados.

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