Teleaula e EaD são inviáveis para estudantes da educação básica

A Secretaria de Educação do Distrito Federal cogita substituir aulas presenciais por teleaula pela Internet ou pela televisão. O Governo do Distrito Federal tenta viabilizar a Educação a Distância (EaD) durante a pandemia do novo coronavírus. O anúncio foi feito nesta semana, quando a Secretaria informou que está reunida para resolver o problema da falta de aulas e que o projeto é transmiti-las por meio eletrônico, uma vez que não há previsão para o fim da quarentena e isolamento instituídos para conter o avanço da Covid-19.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF vê a notícia com preocupação.  Explica que a EaD cumpre um papel específico no processo educativo, porém não supre a necessidade de situações de aprendizagem dos estudantes da educação básica no que se refere a aulas presenciais. A teleaula não substitui as aulas presenciais em escolas em todas as modalidades de ensino e aprendizagem, principalmente na fase inicial de escolarização – a educação básica.

Esclarece que a educação engloba vários segmentos de aprendizagem, que compõe a educação básica, a educação infantil, o ensino especial, o ensino profissional técnico, a Educação de Jovens e Adultos (EJA). As séries iniciais e finais, não serão contempladas com a metodologia a distância, uma vez que a interação social é parte significativa para que a aprendizagem ocorra nessas etapas.

Até mesmo no ensino superior, a EaD tem limitações de uso. Nesse nível, ela é utilizada em projetos e situações específicos. A prova disso é que a Universidade de Brasília (UnB), pioneira na adesão à EaD no País, suspendeu, na segunda-feira (23), o primeiro semestre acadêmico de 2020. A UnB tem profunda experiência nesse modelo de ensino e, ainda assim, suspendeu o semestre acadêmico para não prejudicar os estudantes dos cursos presenciais.

O Sinpro-DF entende como acertada a política de isolamento e de suspensão das aulas que o governador Ibaneis instituiu no DF para enfrentamento da pandemia. Todavia, assegura que não é retomando aulas e os demais serviços, ou seja, não é expondo a população aos perigos da doença, como quer o Presidente da República, e nem é modificando de forma aligeirada e sem embasamento as relações de trabalho e a administração de serviços públicos, como, por exemplo, o modelo de educação em curso, que iremos evitar prejuízos.

“A EaD não irá aplacar os prejuízos que o novo coronavírus está impondo. O planeta está de quarentena e o mundo colherá os prejuízos da pandemia. O momento agora é de parar tudo. É hora de proteger a saúde individual e pública. E, para isso, o correto seria todos os agentes públicos se esforçarem para revogar a Emenda Constitucional 95 (EC 95), de 2016, que congelou por 20 anos os investimentos do Estado nos setores sociais para pagar uma dívida pública não auditada com banqueiros. É a volta do investimento do Estado nas áreas sociais que modificará a realidade e amenizará os impactos do coronavírus no Brasil”, afirma diretoria do sindicato.

Além disso, os professores do DF defendem a educação presencial e exigem que, após o fim da pandemia, a reorganização do novo calendário escolar seja dialogada e organizada com a participação da categoria, por meio de sua representação sindical. Não cabe agora, ainda no início de uma situação tão grave em que muitos brasilienses serão infectados nos próximos 30 dias e com a previsão de agravamento da pandemia, decidir de forma açodada a situação do ano letivo.

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