Seguindo os passos de Allan Kardec(*)

Há muito tempo que venho seguindo os passos de Allan Kardec, através do itinerário de meu pai, desde menino, quando ele me levava às sessões do Centro Espírita do qual era presidente. Eu ficava do lado de fora, brincando no pátio com outras crianças, filhos de frequentadores, sob o olhar atento do porteiro daquela entidade religiosa.

Não obstante a minha expectativa, meu pai jamais fez qualquer comentário sobre a Doutrina Espírita, a não ser que eu lesse todas as noites o Sermão da Montanha proferido por Jesus. Isto até sua morte, em 1937, me deixando órfão de pai e mãe aos 11 anos, quando fiquei sob a guarda de um irmão mais velho, que me espancava sem o menor motivo -, conforme já relatei na minha recente autobiografia “O Menino que Tinha Medo de Gente” e que prefiro esquecer, para sempre.

Aliás, foi nesse livro que relembrei a minha Primeira Comunhão na Igreja dos Franciscanos, em Santarém, de olho num distinto senhor sentado na primeira fila do templo, trajado com seu terno escuro de Maçom. Quem era? Meu pai! Quanto à minha adolescência, sem entender o Latim ministrado nas missas daquela época, me afastei, definitivamente, do catolicismo.

Finalmente, filiei-me à Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, na qual recebi um banho de espiritualidade. Daí meu ingresso na década de 50 numa Faculdade de Teologia, em São Paulo, curso acadêmico que abandonei poucos dias antes de me diplomar Pastor Presbiteriano, motivado por um incidente que ofuscou a minha fé, decisão difícil também registrada naquela autobiografia.

Afinal, o espaço está encolhendo e ainda não entrei no mérito de o porquê   ter decidido seguir os passos de Allan Kardec, na extensão dos passos de meu pai. Trata-se de uma conversão racional, depois de me inspirar nos exemplos que o fundador do Espiritismo deixou em palavras escritas e atos isentos de pecados.

Essa decisão ficou fortalecida, recentemente, pelaconfirmação que recebi de minha filha Fernanda, que é médium praticante. E só então passei a acreditar, sem angústia, que, com base nos meus 92 anos e 11 meses de vida, está chegando a hora de reencontrar no Oriente Eterno os espíritos iluminados de meu pai e de outros bem-amados que partiram, inclusive minha mãe!

(*) Francês, professor, cujo nome de batismo era Hippolyte Léon DenizardRivail.

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