Saudosismo ao relembrar Frank Sinatra

Durante temporada jornalística em New York na década de 1960, tentei entrevistar Sinatra, que me esnobou sem qualquer explicação pela recusa, aliás como sempre reagia com os repórteres norte-americanos. Essa falta de educação explícita, provavelmente, era fruto do ambiente familiar. Nascido em Hoboken, em New Jersey, cidadezinha próxima à Manhattan, era filho do siciliano Antonino Martino Sinatra, analfabeto e boxeador profissional, que imigrara para os Estados Unidos em 1903.

Apesar de magrelo e não ter o sex-appeal de seu amigo de boemia John Fitzerald Kennedy, Francis Albert “Frank” Sinatra chamava a atenção feminina obviamente pela fama, casando quatro vezes com mulheres bonitas, entre as quais a escultural estrela de Hollywood Ava Gardner, por quem tentou suicídio num lance de ciúme. Além do quarteto matrimonial, conquistou amantes famosas, como Marlene Dietrich, Lana Turner, Lauren Bacall e Marilyn Monroe.

Mito na história da música e considerado como o maior cantor do século XX, FS também demonstrou talento como protagonista cinematográfico ao ganhar o Oscar de melhor ator coadjuvante no filme “A Um Passo da Eternidade”, em 1954. Aos 20 anos de idade, a voz do jovem ítalo-americano começou a ser ouvida numa rádio novaiorquina, quase logo em seguida desbancando o então ídolo Bing Crosby.

Daí em diante, sua ascensão foi meteórica, passando a ser chamado The Voice, graças ao peculiar timbre vocal de barítono. Embora boêmio e beberrão, atingiu a longevidade até os 83 anos, quando faleceu em Los Angeles. E mesmo gorduchinho e careca, continuava fazendo sucesso, a exemplo do show no Rio de Janeiro, em 1980, para cerca de 150 mil pessoas, lotando o estádio do Maracanã. Ao ouvi-lo, esgotei a reserva de minhas lágrimas, quando interpretou My Way (tradução literal: Do Meu Jeito).

Relembrando hoje, 35 anos depois, compreendo porque chorei. A tradução da letra da primeira estrofe de My Way confere com o roteiro de minha vida: “E agora o fim está próximo / E portanto encaro o desafio final / Meu amigo, direi claramente / Irei expor o meu caso do qual estou certo / Eu tenho vivido uma vida completa / Viajei por cada e todas as rodovias / E mais, muito mais do que isso / Eu o fiz do meu jeito…”

E não se trata de mera coincidência!

 


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Parabéns, Juscelino – onde estiver!


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