Representatividade também para céticos

O caos que abala as estruturas do Sistema Único de Saúde (SUS) Brasil afora e acaba esbarrando diretamente na medicina suplementar fez com que boa parte dos médicos, de todo o país e no Distrito Federal, se tornasse descrente com relação à política. Alguns chegam até a dizer que não há mais solução para os evidentes problemas no atendimento à população. No entanto, me arrisco a dizer, quando nas mãos das pessoas certas, a política consegue, sim, desenvolver todas as áreas essenciais para a vida dos cidadãos. A começar pela Saúde: porque é nela que está a solução.
Fato é que a Saúde é um fator intrínseco ao desenvolvimento. Não só o social, mas o econômico. É, portanto, determinante para o progresso: tanto no âmbito local quanto no nacional. E, apesar de o atual governo do DF ter ignorado tal fato – que é comprovado por estudos e pesquisas -, investir na saúde da população é, para além de salvar vidas, dar condições para que cada indivíduo possa contribuir, de maneira prática, para os avanços sociais dos quais tanto necessitamos, mesmo os céticos da política.
Ainda em 1975, no artigo “Saúde e desenvolvimento econômico: atualização de um tema”, José Duarte de Araújo já defendia que os gastos em saúde são uma forma de investimento e não uma despesa de consumo: destacando, sobretudo, a estreita vinculação da área com o processo de planejamento econômico e social. Ou seja, embora hoje estejamos vivendo em um momento crítico dentro dos hospitais, UPAs e UBSs, é preciso lutar. E isso significa, em um ano eleitoral, dar uma chance àqueles que defendem o bem-estar (físico e mental) dos cidadãos como prioridade.
Neste ano, tive a chance de participar do XIII Encontro Nacional das Entidades Médicas (ENEM), e o tema “participação médica na política” ecoou nos corredores da AMBr, que sediou o evento, como uma urgência. Uma necessidade que nos salvará das recorrentes tentativas de precarização da atividade médica. Fato é que, nos últimos anos, retrocedemos. A prática médica no SUS pede socorro. E os desafios aumentam também na saúde suplementar.
Não há, neste ano, espaço para o ceticismo político. Digo a vocês, com convicção, que a nossa profissão não pode sofrer mais perdas. Para exercemos, com dignidade, a medicina para a qual nos formamos, é preciso entender que a solução está no palco político. Não vamos, mais uma vez, perder a chance de eleger aqueles que nos representam. Neste momento, a representatividade médica na política pode ser a única saída para um cenário que se apresenta a cada dia mais inóspito.

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