Protegido por habeas corpus, depoente nada esclarece na CPI da Saúde

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Valdeci usou microfone para responder apenas: “Me reservo ao direito de permanecer calado”. Foto: Rinaldo Morelli/CLDF

Quatro advogados de defesa. Um habeas corpus preventivo. E nenhuma informação. O ex-assessor da Vice-Governadoria do DF, Valdeci Marques de Medeiros, deixou os deputados da CPI da Saúde, da Câmara Legislativa, sem respostas para as questões levantadas na reunião desta quinta-feira (17). Os distritais queriam que o depoente esclarecesse sua participação nas gravações das conversas entre o vice-governador Renato Santana e a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues. A todas as perguntas, Valdeci respondia: “Me reservo ao direito de permanecer calado”.

“Estou indignado”, reclamou o relator da CPI, deputado Lira (PHS). Ele tentou em vão que Valdeci (considerado nas gravações “irmão” de Marli e do vice-governador) explicasse os motivos de ter intermediado as conversas gravadas e o suposto esquema de cobrança de propina para pagamento de contratos na área da saúde. Lira advertiu que Valdeci prestara “um desserviço à sociedade”, assim também como outras testemunhas que trouxeram habeas corpus à CPI para deixarem de responder as perguntas dos distritais sem risco de serem presos.

Lira propôs a quebra do sigilo bancário, telefônico e fiscal do depoente. O deputado Bispo Renato Andrade (PR), brincando, afirmou que só ele teria informações de Valdeci. Informou aos colegas que Valdeci lhe dissera que o sigilo dele já fora quebrado na apuração feita pela Justiça. Os advogados, que também nada falaram publicamente, sinalizaram que era correta aquela informação.

Operação Drácon – Logo após o frustrante não-depoimento de Valdeci Medeiros, a deputada Celina Leão, presidente afastada da Casa, levou aos integrantes da CPI a cópia integral do inquérito da Operação Dracon e também cópias de todas as conversas gravadas por Marli Rodrigues. Ela, que reafirmou inocência, anunciou que estava oficialmente autorizando a CPI a quebrar seu sigilo bancário, fiscal e telefônico.

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Celina autorizou CPI a quebrar seu sigilo bancário, fiscal e telefônico. Foto: Rinaldo Morelli/CLDF

Celina defendeu a necessidade de continuidade das investigações pela CPI e criticou o fato de o inquérito não ter investigado as “muitas denúncias” envolvendo o governo local. “Em mais de quatrocentas páginas, eu só apareço no inquérito uma vez na denúncia feita pela deputada Liliane Roriz”, ressaltou, comentando ainda que, em virtude da grande repercussão na mídia envolvendo os deputados, eles é que se tornaram os alvos principais de toda aquela investigação.

Prorrogação adiada – O requerimento para a prorrogação da CPI por mais 180 dias, que estava na pauta para ser votado hoje, só será apreciado em sessão extraordinária da CPI, na próxima segunda-feira (21). A decisão foi anunciada após a saída da reunião do relator Lira, com problema de saúde na família, e da recusa do deputado Robério Negreiros (PMDB) de participar da votação sem a participação do relator. Negreiros defendeu que não haveria problema em virtude do adiamento, pois o prazo inicial para encerramento da CPI só acaba na sexta-feira (25).

O clima ficou tenso. Negreiros deixou o plenário e retirou o quórum para deliberação. O presidente da CPI, Wellington Luiz (PMDB), não escondeu sua irritação com a não-votação do requerimento, mesmo depois de informar que o deputado Lira assinara antes requerimento para a prorrogação dos trabalhos da CPI. Ele denunciou “uma interferência clara do Buriti”. O deputado Bispo Renato Andrade (PR) também protestou: “Quem aceita pressão do governador não serve para ser deputado e representar a população”.

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