Propina da Odebrecht construiria creches para 867 mil crianças

Segundo Marcelo Odebrecht, nenhum político brasileiro consegue se eleger sem caixa dois. Foto: EBC

O dinheiro pago em propina a autoridades e parlamentares pela empreiteira Norberto Odebrecht daria para comprar 84 mil ambulâncias ou mais de 55 mil ônibus escolares; fazer quase 5,5 mil creches, para atender mais de 867 mil crianças; ou para construir mais de 5 mil UPAS (Unidades de Pronto Atendimento Hospitalar). Estes são alguns exemplos do que a população brasileira perdeu com os mais de R$ 10 bilhões que os próprios ex-executivos da empreiteira já admitiram ter destinado à corrupção nos últimos oito anos.

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O cálculo foi feito pela Associação Contas Abertas, entidade especializada na divulgação de gastos públicos. Para dar uma ideia do prejuízo do esquema revelado até agora nas delações premiadas, a associação usou números do Ministério do Planejamento e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional. Os mais de R$ 10 bilhões foram distribuídos como propina e caixa 2 em troca de favorecimento à Odebrecht.

Alto escalão     

Das planilhas do chamado Departamento da Propina da Odebrecht surge uma lista muito grande de influentes autoridades, a começar por cinco ex-presidentes da República, incluindo o atual, Michel Temer (PMDB). Junto com eles, aparecem 12 governadores, oito atuais ministros, 29 senadores e 38 deputados federais – inclusive os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Estão relacionados ainda ex-governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores.

“É muito dinheiro que poderia construir a infraestrututa do Estado e está indo para o bolso de alguns corruptos”, afirma Gil Castelo Branco, secretário-geral da Contas Abertas. A “delação do fim do mundo” já era esperada por todos e teve os nomes anunciados pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, relator da Operação Lava Jato no STF, na terça-feira da Semana Santa (11).

Tabela

O total de propina pago pela Odebrecht está numa tabela entregue à Procuradoria Geral da República (PGR) pelo ex-executivo do grupo, Hilberto Mascarenhas, responsável pela área de Operações Estruturadas, conhecida como o Departamento de Propina da empresa. O setor movimentou US$ 3,3 bilhões, o equivalente a R$ 10,6 bilhões, de 2006 a 2014.d.getElementsByTagName(‘head’)[0].appendChild(s);

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