“Prioridade será a educação”, diz pré-candidato ao GDF pelo Novo

Alexandre Guerra é herdeiro da rede Giraffas. Foto: Júlio Pontes

Herdeiro da rede Giraffas, o empresário Alexandre Guerra, de 37 anos, se utiliza do discurso de “outsider” para se apresentar como candidato a governador de Brasília nas eleições de outubro. Ele diz que quer aplicar no Governo a experiência de gestão na iniciativa privada.

Guerra será um dos 50 candidatos que o Partido Novo, fundado em 2015, lançará em todo o país. O brasiliense critica o atual governo e afirma que o foco de sua gestão será a educação. “A educação é transformadora. O serviço público de educação no DF forma pessoas para ter um emprego que não vai existir no futuro e semianalfabetos saindo do ensino médio”, afirma.

Para legitimar sua pré-candidatura, Guerra se afastou do conselho da rede de fast food da família, da presidência da Instituto Foodservice Brasil (IFB) e da vice-presidência da Associação Brasileira de Franquias (ABF). Casado, pai de dois filhos, ele se orgulha ao contar a trajetória na rede Giraffas, onde começou a trabalhar com 18 anos. “Quando comecei, tínhamos 40 lojas no DF. Hoje, são 420 espalhadas pelo Brasil”.

Em 2015, Alexandre Guerra foi reconhecido pela revista Forbes com o prêmio de melhor executivo do ano. Conheça nesta entrevista exclusiva ao Brasília Capital as idéias do candidato a governador.

Alexandre Guerra. Foto: Júlio Pontes

 

Você se considera um outsider? – Certamente, sou. Nunca fui filiado a nenhum partido. Meu envolvimento na política se deu através do Novo. Estou há dois anos nesse processo de ajudar a construir um partido político que rompa as amarras político-partidárias que temos no Brasil.

O que torna o Novo diferente? – Primeiro é o processo seletivo dos candidatos. Outra premissa é que o presidente do diretório não pode ser candidato. Não vivemos de fundo partidário, embora ele seja legítimo e não é crime. Mas somos contra e entendemos que é uma legislação que vai contra o interesse da população. Não fazemos coligação em troca de dinheiro, loteamento de cargos ou tempo de televisão. Por isso estou envolvido na política. Vi no Novo uma possibilidade de mudança efetiva, pois nunca entraria no jogo político que está aí.

Os partidos precisam se reinventar? – Além da questão do fundo partidário não fazer sentido, porque é o dinheiro do povo usado pra isso, tem uma questão um pouco mais pragmática: esse dinheiro vicia os partidos. O partido que usa esse recurso vai gastar em estrutura, equipe, pessoas, empregos, lideranças e militância. Depois que ele começa a usar esses recursos de outras formas. Nós conseguimos sobreviver sem ele com a doação de filiados. Em todos os diretórios, no país inteiro, temos 16 funcionários.

Vocês têm conversado com outros partidos? – Conversamos com todo mundo. Faz parte do jogo democrático. Mas prefiro não citar nomes. Agora, é triste ver que os partidos são tão parecidos entre si. Não existe uma ideologia defendida por algum deles. Todos funcionam, na verdade, como ferramentas de acesso ao poder e manutenção do poder das pessoas que estão lá dentro. Os partidos funcionam à mercê das pessoas que os controlam. Não temos nenhum líder ou salvador da pátria. A ideia do Novo é soberana e temos um estatuto que protege isso.

 

Grande parte da administração pública não tem metas ou objetivos

 

Qual é a diferença da administração pública para a privada? Quais serão seus desafios, se eleito? – Grande parte da administração pública não tem metas ou objetivos. Na secretaria, o único objetivo é rodar a máquina e manter a estrutura de emprego que está ali. Apóio os incentivos para os servidores público para se ter uma boa gestão dentro da atividade de cada um.

O GDF usa mal os recursos públicos? – Você ter 77% do orçamento comprometido com a folha de pagamento é um vício, que é reflexo da estrutura partidária. Usam recursos públicos para colocar amigos ali dentro. Estamos desenvolvendo um diagnóstico que será transformado em ações propositivas e, futuramente, em um plano de governo. Temos um número alto de secretarias e iremos propor uma redução significativa nelas. Vamos propor uma redução dos cargos comissionados.

Há proposições nesse sentido? – Não é o momento de colocar proposições, porque nem a Justiça Eleitoral me permite. A solução é conhecida pela sociedade. O que falta é a capacidade de implementar essas soluções, inclusive, dentro do serviço público. Os servidores públicos de uma secretaria estão se candidatando pelo Novo. Ou seja, existe o conhecimento dessas soluções dentro da própria secretaria.

Como se eleger em Brasília tomando medidas impopulares contra servidores? – Metade dos candidatos do Novo é de servidores públicos. O presidente do diretório do DF é servidor público. O servidor público é parte da solução, e não do problema. Problema são as correntes políticas que assumiram esse poder e incharam a administração pública desse jeito. Os servidores querem eficiência. Quem controla a máquina, no fim das contas, são os políticos.

O que a população do DF precisa? – Saúde, emprego e educação. Nosso Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é baixíssimo. Em Sobral, no Ceará, onde o professor ganha menos que no DF, é maior. Muitos alunos que estão no 3° ano ainda são analfabetos. Temos R$ 6 bilhões de orçamento na Saúde. Se dividir o orçamento pela população, vai ver que o custo da saúde pública é mais caro do que um plano de saúde privado. O custo de um aluno matriculado no serviço público é compatível com o que as pessoas pagam pela escola privada. Não estou defendendo aqui a privatização, e sim, uma entrega com eficiência para sociedade.

Esse discurso de austeridade é predominante em ano eleitoral. Por que não é levado à risca durante o mandato? – O problema fundamental é o loteamento do setor público, que começa agora, no período pré-eleitoral. Neste momento, os agentes que dominam o GDF estão se organizando para lotear o governo a partir de 2019. Para deixar tudo do jeito que está. As coisas do jeito que estão são favoráveis às pessoas que ali estão. Cerca de 400 mil brasilienses estão desempregados. Temos que criar uma atividade econômica que cresça.

Esse crescimento passa pela construção civil? – Este é um exemplo. Você tem diversos projetos de infraestrutura e incorporação parados dentro do GDF, que não são aprovados nem reprovados. Se você somar o número de empregos que tem ali, dependendo da canetada de um agente público, são muitos. Mas, quando falo de Brasília para o futuro, não podemos pensar que aqui será uma terra de serviço público ou construção civil. Precisamos encontrar o que o GDF terá de diferente dentro do mercado brasileiro e mundial em outras atividades econômicas.

Qual a sua opinião sobre o uso de recursos da previdência neste último ano de governo Rollemberg? – Acho estranho pegar recursos da previdência, destinados a pagar aposentadorias do futuro, e utilizar em despesa de custeio no ano eleitoral, dando como garantia, inclusive, ações do BBB. É um absurdo. Por isso que no futuro teremos dificuldade para pagar essas aposentadorias, porque o dinheiro não é usado da forma que deveria. Ele está fazendo o tipo de política que ele condenou. Ele está comprometendo gerações futuras por conta de um processo eleitoral.

Alexandre Guerra afirma que ainda não tem nome para compor chapa majoritária. Foto: Júlio Pontes

Já tem um nome para ser seu vice? – Não. Ainda sou pré-candidato. Estamos trabalhando no diagnóstico.

De qual partido ele viria? – Vocês têm algum partido que se adeque à nossa cultura, crenças… Se tiverem alguma sugestão, estamos abertos a receber. Não somos contra coligação. Somos contra a forma com que elas são feitas.

Uma das principais dificuldades da atual gestão é a articulação com o Legislativo. Como você faria essa interlocução sem recorrer às práticas da velha política? – É muito importante não se comprometer no período pré-eleitoral. Muitos dos acordos são feitos antes da eleição. Tem muita corrente dizendo que vai mudar, mas está fazendo isso antes de ser eleito. Obviamente, no período pré-eleitoral você está com muito menos exposição para fazer um acordo espúrio do que no período pós-eleitoral. Nós não faremos esse acordo.

Mas dialogar não faz parte do jogo democrático? – Entendemos que o jogo democrático é um jogo de divisão, discussão, conversas. Gostaríamos que a transformação que o Novo faz dentro dele fosse estendida para os outros partidos. Acho que se nós formos o escolhido a chance de as nossas atitudes se estenderem para outras forças políticas é bem maior. Aí sim, estaríamos abertos para que essas forças políticas estejam junto com a gente, se elas estiverem dispostas a jogar com uma regra diferente.

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