Presidente de todos

Cinquenta e sete milhões e oitocentos mil brasileiros elegeram, domingo (28/10), Jair Bolsonaro o 38º presidente da República Federativa do Brasil. Outros 47.040.906milhões, que votaram em Fernando Haddad, disseram não à proposta de um governo de extrema direita apresentada pelo futuro mandatário. E quase um terço dos eleitores aptos a votar – 31,3 milhões – preferiram não optar entre um dos dois projetos, abstendo-se ou votando em branco ou nulo.

Fato é que, pelas regras do sistema eleitoral, o capitão reformado do Exército Jair Messias Bolsonaro, de 63 anos, tornar-se-á, a partir de primeiro de janeiro de 2019, o chefe da Nação, de fato e de direito. Caberá a ele, a partir de então, ter a grandeza de compreender que deverá governar para todos os 209 milhões de brasileiros, tenham eles votado em seu projeto ou não.

Já nos primeiros momentos após a proclamação das urnas, o presidente eleito fez um pronunciamento jurando respeito às leis e à Constituição. Um bom sinal, tendo em vista os discursos inflamados que o caracterizaram ao longo dos 28 anos como deputado federal e, mais recentemente, como pré-candidato e candidato a presidente da República.

Bolsonaro precisará compreender que, de forma indireta, a oposição e os movimentos sociais também ajudam a governar. A repulsa que explodiu nas redes sociais e na imprensa à anunciada fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, no início da semana, não é meramente discurso de contrários. O movimento pode contribuir, por exemplo, para preservar as boas relações do Brasil com a China, nosso segundo maior parceiro comercial, atrás apenas dos Estados Unidos, e com outros mercados. Afinal, esses consumidores não aceitam produtos que não tenham algum certificado ambiental.

Ao moderar seu discurso, o presidente eleito também estará sinalizando para seus seguidores mais fanáticos que desceu do palanque e agora precisa conduzir os destinos do País com o máximo de sensatez. Todos terão que compreender que não basta continuar repetindo o bordão “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” e sair desfilando paramentados de verde e amarelo. Não é porque Bolsonaro defende a revisão do estatuto do armamento que cada cidadão comprará um revólver e sairá por aí atirando a torto e a direito.

Frases, declarações, vídeos e reportagens sobre destemperos verborrágicos de Jair Bolsonaro e seus seguidores mais próximos, inclusive familiares, são fartos nos meios de comunicação e nas redes sociais, o território predileto do presidente eleito. A expectativa da Nação, a partir da vitória nas urnas, esses arroubos de arrogância e intolerância permaneçam apenas no mundo virtual, e não sejam postos em prática contra conquistas históricas e fundamentais de toda a sociedade nas últimas décadas, sendo a principal delas a Democracia e a liberdade de expressão.

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