Precisamos de mais policiais nas ruas e mais professores nas escolas

O esfaqueamento de dois estudantes na frente de duas escolas públicas nesta semana pôs em xeque a política da militarização. O Governo do Distrito Federal e a mídia anunciaram que o crime ocorrido na segunda-feira (19), no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 407, de Samambaia, foi resultado da falta de policiais militares dentro da escola.

Mas os fatos mostraram que essa conclusão está errada porque a violência não é um problema da escola, e, sim, social. A prova disso veio dois dias depois. Na quarta-feira (21), um estudante do Centro Educacional (CED) 7, de Ceilândia, uma escola militarizada desde o início do ano, foi esfaqueado na porta do colégio, que recebe, todo dia, mais de 20 PMs. Embora estivessem lá dentro, eles não impediram o crime.

Os dois casos confirmam que a militarização não resolve a questão da violência. Mesmo assim, o governo leva adiante sua gestão negligente em duas políticas públicas importantes: a Educação e a Segurança. Escolheu mais seis escolas para serem militarizadas. Assim, lota essas escolas de PMs desviados de suas funções e deixa as ruas vazias de patrulhamento.

Sem policiamento, as 34 regiões administrativas estão cada vez mais vulneráveis. PMs aquartelados nas escolas em “gestão compartilhada” é desvio de finalidade. A função da Corporação é combater o crime nas ruas. Cada escola militarizada recebe de 20 a 25 policiais. Enquanto isso, os arredores delas ficam abandonados e tornam-se, cada vez mais, em locais propícios para roubos, esfaqueamentos, tiros, assaltos, estupros, tráfico, entre outros crimes.

A criminalidade aumenta nas ruas e a população paga a conta com a própria vida. As ocorrências do CEF 407 e do CED 07 comprovam que PM dentro de escolas não combate a violência. Ora, se o governo não garante segurança nem nos arredores de escolas militarizadas, avalie nas ruas!

Quando do Gisno votou contra a militarização, o governador gritou para a mídia que quem governa é ele. Mas esqueceu-se de dizer que quem o colocou no Buriti foi o povo, gente como a comunidade escolar do Gisno que rejeita a militarização, que paga impostos e que quer serviços públicos eficientes e gestores responsáveis. Desviar a PM de suas funções e destruir o ensino público não é boa gestão.

O que a Educação e a Segurança públicas precisam é de investimento financeiro e mão de obra concursada. As duas Pastas estão ameaçadas de sucateamento pela falta de funcionários concursados para atender os cidadãos. O GDF faz de conta que não vê isso.

O governador pede respostas para os problemas da Educação e da Segurança. O Sinpro afirma que essa resposta está dada: é o próprio trabalho desenvolvido por professores e orientadores educacionais, que, mesmo sem o devido investimento financeiro e o adequado suporte do GDF, é exitoso e premiado, como provam os números do Ideb. São trabalhos que se contassem com o apoio financeiro do governo e o cumprimento Plano Distrital de Educação (PDE) seriam infinitamente melhores. O que a educação do DF precisa é de uma estrutura física melhor e mais investimentos para desenvolver mais projetos que enriquecem a aprendizagem dos estudantes.

E de um governo que valorize a categoria e disponibilize a presença diária do Batalhão Escolar em todas as escolas. O governador desafiou o Sinpro-DF a apresentar uma proposta para os problemas da Educação e da Segurança. A proposta é: reforçar o que a categoria já faz e que poderia ser muito melhor se contasse com os investimentos financeiros e o cumprimento do Plano Distrital de Educação.

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