População triplica em seis anos

Águas Claras já é a sétima maior cidade do DF em termos populacionais. E a mais nova dentre as dez mais habitadas. Na quarta-feira (23), a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou um perfil socioeconômico dos moradores da cidade. Os dados integram a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD). Os números de Águas Claras mostram que a população da região administrativa cresce num ritmo superior à média do Distrito Federal, que é, dentre os estados, a quarta região mais populosa. E é uma população jovem, onde 19% dos moradores têm até 14 anos; 11% são idosos e 12% são aposentados.

Em seis anos, o número de moradores de Águas Claras subiu de 43.623 para 135.685. Ficando à frente do Gama, por exemplo, cidade fundada há mais de XXX anos, e que tem 133.287 habitantes, segundo a PDAD de 2013. O problema maior deste crescimento, porém, segundo o professor doutor da Universidade de Brasília, Antônio Carlos Cabral Carpinteiro, é o fato de a cidade ter sido “fruto da especulação imobiliária. Que liga mais para o dinheiro do que para o povo”.

“Águas Claras tem prédio de 30 andares e ruas de 7 metros. Não é difícil encontrarmos postes no meio da pista. O morador da cidade que trabalha no Plano Piloto tem que sair de casa duas ou três horas antes da hora de bater o ponto”, afirma professor Carpinteiro. 48% dos moradores trabalham em Brasília e apenas 19% moram e trabalham em Águas Claras.

Segundo a pesquisa, Águas Claras é a região administrativa do DF com o maior número de moradores com ensino superior completo ou em andamento. Os dados indicam que 56,6% dos moradores concluíram, além do ensino superior, algum tipo de especialização como mestrado e doutorado. Em seguida, 23,18% dos entrevistados têm ensino médio completo.

 

Desigualdade Social

Por outro lado, os números divulgados pela Codeplan mostraram uma disparidade na renda per capta, dependendo da região de Águas Claras. No caso da parte vertical da cidade, a média de ganho por pessoa chegou a 18 salários mínimos. Em Arniqueiras são 12. No vizinho Areal, a média é de apenas seis salários mínimos.

“A desigualdade social nesta região é histórica. Desde a construção da Estrada Parque Contorno (EPCT), quando foram ligadas ao Plano Piloto apenas o Gama, Taguatinga e Sobradinho. Aquelas cidades postas do lado de fora deste cinturão sequer recebiam investimentos. E foi assim que surgiu o Areal (antes de Águas Claras)”, explica o professor Carpinteiro.

Apenas 0,31% dos moradores da região podem ser considerados analfabetos. Em Arniqueiras, 31,6% possuem ensino médio completo. No Areal, este indicador é de 28.37%, e 24,16% o ensino fundamental incompleto.

Os serviços de abastecimento de água, energia elétrica e de limpeza urbana já estão praticamente universalizados na região. Porém, o esgotamento sanitário não está totalmente presente no bairro de Arniqueiras, onde prevalecem fossa sépticas e rudimentares.

Os pesquisadores tomaram 1.010 residências como amostra. Todas as 30 regiões administrativas do DF participaram da PDAD, mas, por enquanto, apenas os dados de Águas Claras foram concluídos.

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