População aposta na força da união para reconstruir a comunidade de Santa Luzia

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O cenário parece com o de uma guerra. 700m² foram queimados. Foto: Newton Pereira/ Reprodução
No domingo (25), um incêndio deixou 22 famílias desabrigadas na comunidade Santa Luzia. Apoio dos vizinhos é essencial para reerguer os moradores. Você também pode ajudar

 

David Gonçalves, sua mulher Maria Rosana e os três filhos do casal formam uma das 22 famílias que perderam tudo no incêndio que atingiu a comunidade de Santa Luzia, na cidade Estrutural, no domingo (25). A família de David está morando na igreja do pastor Melquisedeque, que tem apoiado as vítimas do desastre. O religioso fornece comida e produtos de higiene e lidera a arrecadação de doações para a reconstrução da vida daquelas pessoas.

David afirma que sua situação não é a pior entre os vizinhos. “Eu perdi tudo. Móveis, eletrodomésticos, documentos e minha própria casa. Mas tem gente que está. Uma família vizinha tem cinco crianças em casa e está morando embaixo de uma lona. Na madrugada de segunda (26) para terça-feira (27) todos dormiram todos na chuva”, conta o auxiliar de serviços gerais.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio que atingiu a comunidade, chamada também de Chácara Santa Luzia, queimou uma área de 700m² e foi o terceiro acidente desse tipo na área apenas este ano. Das 22 famílias que perderam suas casas, a maioria segue sem lugar para ficar. Alguns moradores estão em casas de parentes, amigos ou em abrigos, como a o templo da Assembleia de Deus ADEMME e a ONG Casa de Paternidade.

Newton Pereira mora no local e está trabalhando voluntariamente na reconstrução dos barracos na Santa Luzia. Ele conta que, até o momento, apenas quatro habitações foram erguidas após o incêndio. A comunidade precisando de tudo, desde mantimentos básicos – como alimentos e produtos de higiene pessoal – até (e principalmente) materiais de construção para reerguer os barracos. “A situação é precária. A maioria das pessoas está na linha da miséria. Elas perderam o pouco que tinham e sequer têm perspectiva de recuperar os danos”, lamenta o morador.

Voluntários distribuem comida e mantimentos básicos às famílias que sofreram com o incêndio. Foto: Melquisedeque/ Reprodução
Voluntários distribuem comida e mantimentos básicos às famílias que sofreram com o incêndio. Foto: Melquisedeque/ Reprodução

O pastor Melquisedeque é um dos responsáveis pelos voluntários que ajudam na recuperação da Santa Luzia. Ele acredita que a reconstrução dos barracos não vai demorar, devido à força que a comunidade tem mostrado.  “É nessas horas que a gente vê o tamanho do coração das pessoas. A maioria não tem muita coisa, mas está dividindo o pouco que tem com os vizinhos. Quem não consegue abrigar mais ninguém em casa está preparando comida, indo buscar as doações. Em breve teremos uma nova Santa Luzia, com certeza!”, afirma o confiante líder que desde o dia do acidente trabalha na reparação dos danos.

Perigo

O gás metano produzido pelo lixo e a quantidade de barracos de madeira e materiais inflamáveis nas ruas são um risco iminente de incêndio na cidade. Para os bombeiros, ainda há dificuldade de acesso às áreas mais internas da Estrutural, como a chácara Santa Luzia. São becos estreitos e com grande fluxo de caminhões que acessam o lixão. “Às vezes, as pessoas guardam muito material dentro das residências. Normalmente, são produtos que pegam fogo muito facilmente, como papel, tecido, plástico e madeira”, explica o tenente-coronel Glauber de La Fuente, do Corpo de Bombeiros.

A cidade foi erguida sobre um gasoduto, que, combinado com o lixão, representa um perigo constante. O lixão deveria ter sido fechado em agosto de 2014. Mas o governo não cumpriu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), prevista na Lei nº 14.305, que determina a desativação de todos os lixões do Brasil até aquela data. Apesar de não respeitar a norma, o Distrito Federal não paga multa nem sofre outras sanções administrativas.

 

Ajude você também!

A administração regional da Estrutural está recolhendo doações de alimentos, fraldas descartáveis, roupas, calçados, material de limpeza e higiene, material escolar, madeirites e móveis em geral para as famílias atingidas. Newton Pereira alerta para que as pessoas fiquem atentas a quem estão entregando as doações. “Infelizmente, nessas horas ainda aparecem oportunistas”, lamenta. As doações também podem ser enviadas à Assembleia de Deus ADMME e à Casa de Paternidade, onde Newton trabalha. As três organizações possuem serviço de frete para buscar móveis, materiais de construção, etc.

Serviço
Administração Regional
Telefone: 3383-8403
 
Casa de Paternidade
Telefone: 8641-0461/ 9295-3635
Endereço: Setor de Chácaras, Quadra 17 – Comunidade Santa Luzia – Cidade Estrutural
 
Assembleia de Deus ADMME
Telefone: 3465-4370
Endereço: Quadra 5 Conjunto 14 Lote 14 – Setor Leste – Cidade Estrutural

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