Os donos da bola

A Copa do Mundo de Futebol termina domingo (15). Sairão de campo os craques dos gramados. De agora em diante, até outubro, quem vai dar a bola são os políticos. Pelo menos oito concorrentes se apresentam como pré-candidatos ao Palácio do Buriti. E mais de mil querem disputar as duas vagas de senador, oito de deputado federal e 24 de distrital.

O momento é de montagem dos times (nominatas). Muito mais do que conquistar a torcida (eleitores), os treinadores(dirigentes partidários) estão preocupadosem formar suas comissões técnicas (coligações).

Para a maioria dos pré-candidatos majoritários, qualquer aliança é bem-vinda. Já para os proporcionais (federais e distritais), o importante é fazer contas para organizar alianças que lhes assegurem mais chances de vitória, mesmo que marquem menos gols (votos) do que esperam antes da partida (a campanha) começar .

Professora Fátima Souza é nome do PSol para a disputa

Zebra –A primeira chapa consolidada na disputa ao Buriti foi a do PSol, que tem à frente a ex-diretora da Faculdade de Saúde da UnB, Fátima Sousa. Elaé vista como zebra num campeonato curto. Sua principal missão será tornar-se conhecida em apenas 45 dias e com pouquíssimo tempo de propaganda no rádio e na TV. Sua vice, a assistente social e conselheira tutelar KekaBagno, também não é uma figura pública de grande projeção.

Quem já demonstrou não querer ser expulso de campo é o governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Mesmo amargando altos índices de rejeição, voltará para o segundo tempo com uma substituição no ataque: Sai Renato Santana (PSD) da vice e entra Eduardo Brandão (PV).Rollemberg ainda busca uma contratação de peso – o PDT. Para isso, negocia diretamente com os principais cartolas do partido – o presidente nacional Carlos Luppi e o presidenciável Ciro Gomes.

Frejat não conseguiu unir toda a oposição de Rollemberg. Foto: Júlio Pontes

Advertências – Pelos prognósticos da crônica especializada e dos institutos de pesquisa, o principal adversário do atual chefe do Executivo é o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR). Mas este tem no elenco alguns atletas advertidos com cartão amarelo – Arruda e Filippelli – que podem receber a segunda advertência e o cartão vermelho. Isto complicaria em muito a imagem do time e reduziria as chances de conquista do título. Em compensação, conta com dois reforços de peso como pré-candidatos ao Senado: O deputado Alberto Fraga (DEM) e o empresário e ex-vice-governador Paulo Octávio (PP).

A ala direita, o forte de Frejat, estará desfalcada com a venda de jogadores para equipes menores. Eliana Pedrosa (Pros) e Alírio Neto (PTB) encabeçaram a última defecção, arrastando com eles a tradicional torcida organizada Força Azul, da família Roriz. Antes, o time havia perdido Izalci Lucas (PSDB) para a formação capitaneada pelo senador Cristovam Buarque (PPS) e várias lideranças evangélicas, entre elas o pastor Wanderley Tavares (PRB).

Alexandre Guerra é herdeiro da rede Giraffas. Foto: Júlio Pontes

Ala direita – As revelações das divisões de base, que pela primeira vez disputarão a categoria profissional, são o general Paulo Chagas (PRB) e o empresário Alexandre Guerra (Novo). O condecorado candidato atua como ponta aberto na extrema-direita e sonha com um lançamento em profundidade do armador do setor, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). O “outsider” joga pelo centro e precisará apresentar um talento que, até agora, não demonstrou, nem nos treinos nem nos amistosos preparatórios.

Cogita-se o nome de Afonso Magalhães, mas sem convicção

Estrela Vermelha – Por último vem o PT. Desgastado pelos escândalos do Mensalão e da Operação Lava Jato, além da questionada gestão do ex-governador Agnelo Queiroz. Com tudo isso, o partido de Lula ainda não saiu do vestiário. A comissão técnica está reunida para definir entre o bancário Afonso Magalhães e o economista Júlio Miragaya, ex-presidente da Codeplan.

Mas as principais estrelas do time da estrela vermelha já avisaram que vão preferir jogar na defesa, em busca de vagas nas Câmaras Legislativa e Federal. Apenas o distrital Wasny de Roure pediu camisa de titular para enfrentar a disputa majoritária. Mas para o Senado. Governo, nem pensar!

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