O que Dunga significa, 4 anos depois

dungaOs quatro anos de trabalho de Carlos Caetano Bledorn Verri, encerrados em 2010, não foram ruins. Obteve 75% dos pontos que disputou. Conquistou Copa América, Copa das Confederações, liderou a eliminatória sul-americana para a Copa de 2010.

Sua convocação para a África do Sul, de fato, não foi das melhores: optou por Grafite quando Adriano, virtual reserva de Luis Fabiano, começou a desapontá-lo. Na lateral-esquerda, fechou-se com Michel Bastos. Na volância, a confiança em Felipe Melo foi fatal, um dos fatores que contribuíram para a eliminação ante a Holanda nas quartas. Só Kaká criava, e o meia estava em má forma. Quando faltaram opções, Julio Cesar não podia errar, mas errou.

O que impressiona, no entanto, são as pistas que Dunga dá do diagnóstico que a CBF fez da SeleçãoBrasileira de Luiz Felipe Scolari.

A chegada de Dunga é sinônimo de mais compromisso e mais disciplina: consegue ser mais militar que Felipão. Onde Scolari é família, Carlos Caetano é código de honra, mas o restante do discurso é o mesmo: sangue, batalha amarga, a união em torno de um pensamento mágico com ares de irmandade religiosa, o orgulho nacional contra tudo e contra todos, imprensa incluída.

Aliás, nisso Felipão e Dunga são muito parecidos: veem na crítica midiática um inimigo a ser derrotado.Lembremo-nos da patética tentativa de Felipão de esconder dos jornalistas a escalação de Bernard, fazendo-o treinar somente no final da prática que antecedeu o 7 a 1 fatídico.

Pensei que tínhamos chegado à conclusão de que não faltara empenho à equipe de Scolari. Compromisso, foco, união, tudo isso se via: os jogadores jamais menosprezaram a Seleção, tanto que muitos pareciam vestir camisas de uma tonelada. O que não se via era variação tática, inventividade estratégica e ocupação de espaços, coisa que precisa de treinos.

Pensei que estivéssemos dispostos a nos perguntar o que é que a camisa amarela representa.

Pode parecer uma bobagem, mas continuo encantado com a alegria da Seleção Alemã nos trópicos. Pareciam mais brasileiros do que nós, ganharam corações e mentes dentro e fora de campo. Foi apenas mais uma das lições que a Federação Alemã nos deixou: como conquistar o mundo com e sem a bola. Atraíam atenções mesmo quando não davam show, o que deu a impressão de que a Alemanha jogou ainda melhor – com dificuldade nos lembramos de que as partidas contra Gana, EUA e França não foram de gala.

Esse marketing é bem mais fácil do que importar a ética alemã de trabalho de base para reformular o futebol brasileiro, o que não vai rolar. Mas o estilo Dunga nunca comportou esse tipo de soft power. Carlos Caetano é um homem determinado, competitivo, superador, mas acredita demais na carranca à frente do barco.Mesmo que não queira, reforça a ideia de uma CBF autoritária, distante da sintonia com o público, com discursos antiquados e práticas cansadas – algo que a nomeação do ex-empresário e atual neófito Gilmar Rinaldi confirmou.

Dunga montará uma equipe vencedora? Não tenho dúvidas. Mas, depois de uma Copa do Mundo em que futebol foi sinônimo de alegria nas pernas de tantas seleções, esse repeteco da severidade vai precisar, no mínimo, de adoçante.

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