O essencial é invisível para os olhos

 

Sob os pratos de minhas netinhas Bárbara, 11, e Maria Luíza, 7, contendo refeições temperadas com o amor da Vovó Ledinha, louça assentada sobre o forro de plástico colorido com o fundo azul-celeste de um céu estrelado, com o garoto de cabelos dourados e cachecol da mesma cor equilibrando-se na semicircunferência de um pequeno planeta, tendo em segundo plano a torre Eiffel de Paris. Mas o que me chamou a atenção desse conjunto foi a ilustração: L´essentiel est invisible pour les yeux (tradução literal no título acima).

Claro que se tratava de referência à obra-prima Le Petit Prince (*), do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. Filho do conde Jean Saint-Exupéry, ele era apaixonado por aviação. Fez o seu primeiro vôo solo aos 12 anos de idade, ingressando ainda jovem na área militar, mas optou por trabalhar como aviador do correio aéreo francês, atuando na África. E foi como tal que sofreu uma pane em pleno deserto do Saara, quase morrendo de sede, sendo finalmente salvo por um beduíno.

Poeta e filósofo, Exupéry inspirou-se nessa quase tragédia para escrever sobre seu imaginado encontro com o menino-príncipe de cabelos de ouro que habitava, sozinho, o pequeno planeta denominado asteróide B 612, tão pequeno que conseguia ver, diariamente: “43 pôr-do-sol para se divertir, quando estava triste”. Nos ricos diálogos, o autor conseguiu transformar uma obra aparentemente infantil em literatura para leitores de todas as idades.

Eis algumas frases sugestivas: “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso”. Sobre a morte do corpo: “Será como uma velha concha abandonada. Não tem nada de triste numa velha concha abandonada”. E o essencial que só se vê bem com o coração, tema desta croniqueta: “A beleza do deserto é que existe um poço em algum lugar”.  E tantas outras expressões repletas de sabedoria, que não cabem neste cantinho de página.

 

(*) Publicado na França em 1944 e traduzido em nada menos de 220 idiomas, no Brasil já vendeu mais de 4 milhões de exemplares. No mundo, é difícil calcular, mas é possível que chegue à casa de 1 bilhão. Exupéry faleceu em 31 de julho de 1944, quando, em plena guerra mundial, levantou voo de uma base militar inglesa e não retornou. Há quem acredite que ele pousou no asteróide B 612.

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