O dia que Brasília parou

Foto: Sinpro-DF

A greve geral contra os cortes do governo federal na Educação e contra a reforma da Previdência parou Brasília na sexta-feira (14). Durante a manhã e no início da tarde, os ônibus urbanos não circularam. Na Rodoviária do Plano Piloto, os boxes permaneceram vazios. Além dos coletivos, o BRT também suspendeu as atividades. Já o Metrô-DF, em greve desde 2 de maio, manteve a circulação de trens com número reduzido. Por volta das 8h, 22 trens circulavam, segundo a empresa. O número é superior ao definido em acordo para horários de pico: Com o transporte público afetado, rodovias como as BRs 020 e 040 e a EPTG registraram congestionamento. Para tentar amenizar os congestionamentos, o DER e o Detran liberaram as faixas exclusivas das vias EPTG, W3 Sul, W3 Norte e Setor Policial Sul para o tráfego de todos os veículos.

Educação – A maioria das escolas públicas do DF não funcionou. A Secretaria de Educação informou que o conteúdo não ministrado durante a paralisação deverá ser reposto. A pasta, no entanto, não indicou o número de instituições fechadas.

UnB – Estudantes, professores e servidores da UnB também aderiram à paralisação. Uma das entradas do Instituto Central de Ciências (ICC) Norte foi fechada com cadeados, e uma barricada de cadeiras foi montada. A medida, segundo a Associação de Docentes e técnicos administrativos, é “simbólica”. A universidade afirmou que “os movimentos estudantis e sindicais têm autonomia para se organizar e realizar mobilizações”.

Saúde – Nos hospitais públicos pacientes reclamavam da falta de funcionários, já que muitos servidores não chegaram ao local por causa da paralisação do transporte. As consultas eletivas foram mantidas.

Bancos – Em todo o DF, várias agências colaram aviso avisos informando sobre o fechamento do estabelecimento por causa da paralisação. Apesar do comunicado, os serviços funcionavam normalmente. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que o não funcionamento de agências é “pontual”.

De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), “trabalhadores de todas as regiões do país paralisaram as suas atividades e realizam atos durante esta sexta-feira”. Não foi informado, porém, um balanço sobre o número de agências fechadas.

São Paulo – Manifestantes vinculados a centrais sindicais fazem protesto na Avenida Paulista na tarde desta sexta-feira (14) contra a reforma da Previdência e cortes de verbas da educação. Parte do transporte público da cidade está paralisado também em protesto contra o texto que muda as aposentadorias.

Outras oito capitais, entre elas Belo Horizonte, não tiveram interrupção no transporte coletivo por ônibus, mas sofreram com bloqueios de ruas ou estradas por manifestantes ou tiveram paralisação parcial no metrô.
No Rio, em São Paulo e em Foz do Iguaçu, a polícia usou bombas de gás para dispersar protestos. Na capital paulista, policiais agiram após manifestantes atearem fogo em um carro; em Campina Grande (PB), um policial deu um tapa no rosto de um manifestante que barrava a entrada de funcionários em uma empresa.

Em Salvador, ônibus foram atacados por pedras; em Belo Horizonte, uma mulher foi internada em estado grave após inalar fumaça de fogo em pneus num protesto e ter parada cardiorrespiratória. Escolas e universidades amanheceram fechadas no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Distrito Federal, Minas Gerais e Pará.

No Rio, o transporte público — ônibus, trens, metrô e barcas — funcionava normalmente no início da manhã. No entanto, quatro pontos da cidade foram tomados por protestos e algumas das principais vias foram parcialmente fechadas.

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