O Carnaval brasileiro nasceu nas ruas da Cidade Maravilhosa

Ainda não havia a TV para transmitir os desfiles hoje tão comemorados das Escolas de Samba, mas nem por isso a animação era menor porque o festejo era transmitido pelo rádio e tinha o seu tradicional sambódromo na antiga Praça Onze do Rio de Janeiro. Isto porque, na verdade, o carnaval brasileiro nasceu mesmo foi nas ruas da Cidade Maravilhosa, que ganhou este epíteto quando o compositor carioca André Filho gravou esse sucesso em 1935.

Historicamente, carnaval é originário do latim carnis levale, que significa “retirar a carne” (manutenção do jejum que deveria ser observado durante a Quaresma), tentativa em vão da Igreja Católica de enquadrar o evento como festividade pagã. Mas, a propósito do que era pecado mortal para o Vaticano, confesso que sinto saudades daqueles tempos em que se brincava nas ruas do Rio, no ritmo do Cordão do Bola Preta, o mais antigo do país, fundado em 1918; ou, como alternativa, ingressar nos blocos improvisados que surgiam em todos os cantos, até mesmo nos bondes:

“Seu condutor, dim, dim / Seu condutor, dim dim, Pare o bonde pra descer o meu amor / O bonde da Lapa é cheio de chapa / E o bonde Uruguai é cheio que vai / E o Praça Tiradentes não serve pra gente…”

Ou rebolar legal, sob o comando da inesquecível voz da Carmem Miranda: “Mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar / Dá a chupeta, dá a chupeta pro bebê não chorar / Dorme, filhinho do meu coração / Pega a mamadeira e vem entrar no meu cordão…”

Nos casos que chamaram a atenção, eis um deles: No desfile especial programado pelo jornal Amanhã, na madrugada de 1º de janeiro de 1950, uma passista da Portela deu à luz uma menina.

Mas como todo começo tem fim, no início do ano de 1940, o fato relevante foi: “Vão acabar com a Praça Onze / Não vai haver mais Escola de Samba, não vai / Chora o tamborim / Chora o morro inteiro / Favela, Salgueiro, / Mangueira, Estação Primeira. / Guardai os vossos pandeiros, guardai / Porque a Escola de Samba este ano não sai!”

Foi uma grande tristeza, mas as escolas de samba sobreviveram, com mais luxo, mas não com tanta beleza!

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