Não venda seu voto! Não deixe que vendam!

Na raiz dos muitos problemas que levam a qualidade preponderante da classe política nacional ser tão ruim está a compra e venda de votos ou a troca de apoios políticos por favores, como cargos, promessas de empregos – mesmo que temporários–,alimentos, roupas e mimos de diversas espécies.

As campanhas políticas, que deveriam ser feitas exclusivamente com divulgação de ideias e argumentos coerentes com a história dos candidatos, têm sido realizadas com verbas milionárias e, não raramente, com a utilização da máquina pública.

Tal prática, tão antiga quanto nefasta, permite que candidatos sem escrúpulos angariem o apoio de comunidades muito carentes e de seus líderes utilizando dinheiro alheio, de grandes financiadores cujos interesses costumam passar ao largo da ética, da moral e da eficiência administrativa.

Para piorar, infelizmente ainda é esperado que, nas próximas eleições, muitos eleitores que trocaram seus votos por favores, promessas mirabolantes e ajuda fugaz, e foram depois esquecidos por quatro anos, voltem, por extrema penúria financeira aliada à falta de consciência cidadã, a participar deste destrutivo escambo eleitoral.

Desta forma, se os cidadãos mais conscientes quiserem, de fato, se postar como artífices de uma ampla renovação da política brasileira, seja por meio da eleição de novos e melhores nomes, seja por meio da não reeleição de velhos atores da corrupção que está quase quebrando o País, deverão fazê-lo por meio da conscientização.

Quem é formador, ou formadora, de opinião, além de melhorar a qualidade de seu próprio voto, deve incentivar os eleitores e eleitoras que outrora realizaram tais práticas a, por mais necessidade que tenham, mudarem seu modo de pensar, e de agir, em busca de um Brasil melhor, pesquisando a vida pregressa dos candidatos e não se deixando vender em troca de apoio financeiro e de favores ilegítimos.

As manifestações nas ruas e nas redes sociais costumam ter razoável efeito, mas não existe nada mais eficiente para expressar indignação e mudar uma sociedade problemática do que o consciente exercício do direito ao voto.

(*) Advogado e escritor

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