Moradia: Estrutural pega fogo e cria crise no GDF

Moradores fecharam a via na última segunda-feira (18)

Tratores derrubando barracos, barricadas em chama na via Estrutural, forte aparato policial, pessoas em pranto. Esse foi o cenário de alta tensão na Cidade Estrutural na semana passada. Por três dias, agentes da Agefis, amparados pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros, derrubaram cerca 400 barracos que começaram a ser erguidos no período eleitoral, ano passado.

Como adiantou por dois momentos a coluna Brasília, por Chico Sant’Anna, do Brasília Capital, a tensão tem subido na Estrutural.  Em abril de 2017, o juiz Carlos Frederico Maroja, da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do DF determinou a remoção de moradias em diversas áreas ocupadas por residências na Estrutural e o cercamento e a recuperação florestal das Áreas de Relevante Interesse Ecológico da Vila Estrutural e do Córrego Cabeceira do Valo, além do Parque Urbano Vila Estrutural.

Uma franja de 300 metros a partir da cerca do Parque Nacional de Brasília deveria ser desobstruída e o GDF deveria impedir que as localidades voltem a ser ocupadas. Não foi o que aconteceu. Sob o clima eleitoral e incentivados por candidatos a mandatos públicos e grileiros, a região denominada Chácaras Santa Luiza abriga hoje mais de 4 mil famílias. Cerca de 400 delas ocuparam, a partir do início deste ano, a parte mais próxima da divisa com o Parque, que abriga a Água Mineral.

Nesse embate o governador Ibaneis Rocha (MDB) é acusado de repetir Cristovam Buarque (PPS), que, quando governador, autorizou uma incursão da PM na Estrutural que terminou em agressão aos moradores de baixa renda. Já o administrador Germano Guedes (PRB) acusa abertamente simpatizantes da ex-candidata Eliana Pedrosa (Pros) de tumultuarem a situação para assumirem a regional.

As casas foram removidas, mas a temperatura não baixou na Estrutural. Faltam políticas públicas para a cidade que possui um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano – IDH do DF e do País. Na Câmara Legislativa, distritais de oposição e até da base governista avaliaram negativamente a ação do Buriti. Ex-candidata ao GDF pelo Psol, a professora Fátima Sousa disse nas redes sociais que “Ibaneis quebrou rapidinho a promessa de não derrubar casas de pobre”.

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