Macumba no banco dos réus

Fez candonga de companheiro seu
Ele botou feitiço em você
Agora só o ôme à meia noite
É que seu caso pode resolvê
Você compra a garrafa de marafo
que eu vou dizê o nome
Meia noite tu vai na encruzilhada
E destampa a garrafa e chama o ôme

Canção Só o ôme, de Edenal Rodrigues, gravada, dentre outros, por Noriel Vilela e Zeca Pagodinho, revela bem o lado místico da cultura brasileira. Afinal, quem nunca viu um trabalho na encruzilhada, ou não ouviu uma história do bonequinho de vodu cheio de alfinetes? Os rituais afro-brasileiros originários do nagô, popularmente chamados de macumba – alguns, inclusive com influências de religiões indígenas –, estão no cotidiano da brasilidade.

Mãe Menininha do Gantois, filha de Oxum, imortalizada na voz de Maria Bethânia, é um exemplo da inserção cultural e religiosa do Candomblé no imaginário social brasileiro. Quase a totalidade reconhece os poderes das forças espirituais, seja para o bem ou para o mal.

Mas, quem se vale dessas práticas para o mal, é bom ficar atento. A Justiça entende que usar forças espirituais para prejudicar alguém é crime. Rogar uma praga, visando vingança, prejudicar ou até mesmo ferir, pode dar cadeia. Quem criminalizou o uso inadequado das forças espirituais foi, nada mais, nada menos, do que o Superior Tribunal de Justiça.

E não é só o STJ que pensa assim. O Juizado Especial Criminal e da Violência Doméstica de Tubarão, em Santa Catarina, condenou um homem a oito meses e dez dias de detenção por fazer ameaças através de violência psicológica contra a ex-mulher. De acordo com a denúncia, o acusado teria transformado uma boneca Barbie em “boneco de vodu” para causar pânico à ex-esposa. Todo mutilado e com manchas imitando sangue, o boneco foi atado ao portão da casa da vítima.

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