Leda Nagle critica gestão da EBC após ser demitida e desabafa no Facebook

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Leda Nagle: “Desculpa esfarrapada” da direção da empresa pública de comunicação. Foto: Divulgação

A apresentadora Leda Nagle, que atua há 40 anos na televisão afirmou ao Ego que ficou “perplexa com a falta de caráter” da gestão da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), da qual foi demitida na quarta-feira (7).  Leda informou que há dois meses procurou a direção, que garantiu a ela que não haveria problemas na renovação do contrato. No entanto, ontem, a conversa mudou de figura. O motivo alegado foi falta de dinheiro para manter o programa de entrevistas Sem Censura, no ar durante mais de 20 anos. 

Leda chamou a justificativa da direção de “desculpa esfarrapada”. “O incorreto foi terem ficado dois meses me cozinhando, dizendo que estava tudo certo. Eles tinham todo o direito de me demitir, de não renovarem o contrato, mas tinham que ter sido honestos e não foram. Falar isso na hora de assinar, achei muito deselegante”,  declarou a jornalista ao site a jornalista.

“Desfigurada” – Segundo o Portal Vermelho, a EBC passa por um processo de desfiguração do perfil de empresa pública de televisão. Pela Medida Provisória (MP) 744/2016, Michel Temer (PMDB) ao assumir a Presidência alterou o estatuto da empresa, provocando a demissão do diretor-presidente Ricardo Melo. Para o lugar de Melo, Temer nomeou Laerte Rimoli, jornalista que coordenou a campanha de Aécio Neves em 2014 e assessorou a Câmara dos Deputados sob o comando de Eduardo Cunha.

Na terça-feira (6) foi apresentado relatório elaborado pelo senador Lasier Martins (PDT/RS), que analisa a MP 744. Representantes do movimento pela democratização da comunicação criticaram o parecer que, entre outros aspectos, menciona “métodos para elevar os índices de audiência da EBC”.

Desabafo no Facebook:

“Confesso que preferia ficar calada neste momento. Recolhida, lambendo minhas feridas, me reorganizando, repensando a vida com o coração e a razão. Mas, ao mesmo tempo, me sinto na obrigação de esclarecer esta situação que me surpreendeu ontem e que ainda não posso dizer, sinceramente, que assimilei ou degluti. Mas vamos lá. Há dois meses procurei a direção da EBC para saber se iriam renovar meu contrato que terminou no dia 5 de novembro, como mandava nosso contrato. A resposta foi: sim. Fizemos três reuniões falando do assunto, cumpri as regras burocráticas e continuei no ar, mesmo sem contrato, cumprindo minhas obrigações de acordo com as normas que acreditava vigentes. Tanto o Presidente da EBC como seus subordinados também agiam como se tudo estivesse certo.

Segundo me diziam eles, ‘o contrato está acabando de ser feito pelo jurídico’. Sempre foi assim, demorado, sempre teve validade de um ano, de 5 de novembro de um ano até 5 de novembro do outro ano. Ontem, me convocaram para uma reunião e me apresentaram um aditivo (tipo um remendo de contrato) que vale por dois meses e termina dia 5 de janeiro, coincidentemente dia do meu aniversário. ‘Estamos sem dinheiro para continuar. Você fica até 5 de janeiro. Em março você propõe alguma coisa e a gente pode até conversar’. Portanto fui demitida ontem pelo Laerte Rimoli, a uma hora da tarde. 

Claro que fiquei triste. Tenho 40 anos de televisão. Estou fazendo o Sem Censura há quase 21 anos. Gosto muito do programa e da minha equipe. E, mais do que triste, fiquei perplexa com a falta de caráter em dar a palavra de que estava tudo certo, que o contrato seria renovado, deixar a pessoa trabalhar normalmente, sem contrato, acreditando na palavra empenhada e aparecer com advogado, um aditivo e esta desculpa esfarrapada da falta de dinheiro.

Não houve nenhuma proposta de redução do valor do contrato, nenhuma tentativa de composição, nem nas reuniões anteriores nem a uma hora da tarde de ontem, quando Laerte Rimoli me demitiu. Foi assim. Foi muito feio. Fiquei e estou muito triste. Mas vida que segue. Sou uma mineira guerreira. Bola pra frente, com certeza. Se Deus quiser”.

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