GDF retoma obras em Vicente Pires

Foto: Paulo H. Carvalho /Agência Brasília

As obras de pavimentação, drenagem e infraestrutura de Vicente Pires foram retomadas pelo Governo do Distrito Federal, aproveitando o início do período da seca. Embora causem alguns transtornos para os moradores, a expectativa é de conclusão de vários trechos nos próximos 120 dias.

“Os últimos meses registraram chuvas acima da média no DF, inviabilizando os serviços. Agora, com a estiagem, eles estão em andamento em praticamente toda a Região Administrativa XXX (RA 30). A previsão é de que importantes avenidas, como as ruas 3, 4B, 4C e 7 estejam pavimentadas nos próximos quatro meses”, informa a Secretaria de Obras.

O administrador da cidade, Daniel de Castro, admite ter recebido algumas reclamações. “Estamos num pacote, no momento, de aceleração dessas obras, por determinação do governador Ibaneis Rocha e do vice, Paco Britto. A ponto de, em 15 dias, se qualquer pessoa passar pela Rua 7, que era a mais complicada de ser saneada e pavimentada, já está pronta para, na semana que vem, receber a capa asfáltica”, garante.

Acelerando – Castro diz que foram abertas as Ruas 12 e 7 ao mesmo tempo. “Isso traz um impacto enorme para a cidade porque elas têm de ser parcialmente interditadas. A Rua 12 está quase toda fechada. Mas é necessário, para acelerar as obras, porque a promessa do governador é de que, em dezembro deste ano, elas estarão finalizadas, e o pacote envolve as Ruas 3, 7, 12 e 8”.

O administrador da cidade, Daniel de Castro. Foto: Divulgação/Facebook

Ele explica que o incômodo em alguns condomínios ocorre em razão das obras de drenagem que não foram feitas no ano passado e estão sendo operadas agora, e se juntaram ao pacote que estava previsto para este ano.

“Esses condomínios interligam redes. Por exemplo: Da 10 para a 8, da 8 para a 6. Por isso que a gente está fazendo esses condomínios que também sofreram e sofrerão impactos, mas que, por outro lado, está muito bem coordenado, com uma divulgação da Administração Regional, que tem mantido uma interlocução direta com os comerciantes, a comunidade e suas lideranças”, afirma.

Ele avisa que terá mais impacto ainda porque a intenção do governador Ibaneis é acelerar as obras. “Estamos na iminência de sair o grande pacote de obras da Rua 8 nos próximos dias. É uma demanda nossa. Fazer a Rua 5 toda; fazer calçadas, meios-fios e bocas de lobo da Rua 10; e também fazer a capa asfáltica da Rua 3 da Colônia Agrícola Samambaia. Com esse lote, a cidade estará com esse processo todo concluído. Naturalmente que, depois, virão outras obras. Mas, por agora, essas são as fundamentais”.

Moradores e comerciantes pedem agilidade

Mesmo reconhecendo que as obras de saneamento e pavimentação e de drenagem, são indispensáveis para a legalização dos condomínios, moradores e comerciantes têm reclamado da demora na conclusão. Além dos problemas cotidianos trazidos pela poeira e ruas interditadas, também alegam problemas econômicos.

O comércio, que já somava prejuízos por causa das obras que dificultam o acesso aos estabelecimentos, nos últimos dois meses acumula com a proibição de abrir as portas por causa dos decretos do GDF de isolamento social para evitar a propagação do novo coronavírus.

Obras em Vicente Pires. Foto: Agência Brasília

Os moradores afirmam que as obras, além de interditarem as ruas, estão adentrando os condomínios. Nas Ruas 8 e 10, por exemplo, elogiam as intervenções que têm transformado Vicente Pires em um local habitável. Com a pavimentação e o saneamento, o asfalto, pela primeira vez, resistiu às chuvas.

Condomínios – “A Administração, em conjunto com a Terracap e a Basevi, fez as obras da Rua 10. Em princípio está uma beleza. Funcionou bem nas chuvas e, visualmente, está uma maravilha. Pintaram vagas, fizeram quebra-molas dentro das normas do Detran, sinalizaram tudo, até as entradas e saídas dos condomínios”, atesta o advogado Geraldo Couto.

Ele pondera, no entanto, que “essa é a parte boa”. “Ocorre que, agora, querem passar obras de drenagem dentro dos condomínios, o que está gerando uma série de celeumas. Sou síndico e tenho sofrido uma pressão incrível. As empresas entram sem pedir permissão e já tentaram até fazer medições à força”, afirma Geraldo Couto.

Em outros condomínios, moradores dizem ter medo de represálias com relação à regularização. Um dos proprietários de uma chácara questiona o comportamento dos trabalhadores das empresas. “Funcionários da Basevi, um das empresas contratadas, têm forçado a entrada nos condomínios até de forma grosseira e por duas vezes entraram sem permissão”, denuncia, pedindo para não ser identificado.

Os moradores reclamam ainda que, “na pior das hipóteses, temos uma coisa que não depende dos nossos condôminos: O fato de que para entrar na chácara vão ter de quebrar uma parte do asfalto nas entradas dos condomínios, trabalho que já havia sido concluído. Tinham de fazer a drenagem interna antes de terminar o trabalho na Rua 10”, diz. Outros apontam que obras que já haviam sido feitas em várias chácaras estão sendo feitas novamente.

Governo está corrigindo erro histórico

O fato é que Vicente Pires é castigada pela falta de planejamento. A cidade, que tem mais de 110 mil habitantes, nasceu sem nenhum projeto, a partir de ocupações irregulares do solo. A região de nascentes e aquíferos, cedida pela União para ser ocupada por chácaras em razão do tipo de exploração do solo, acabou sendo alvo de grileiros.

Dezenas de condomínios surgiram e, posteriormente, ruas, centenas de prédios, comércio, invasões de áreas de nascentes, tudo feito desordenadamente, completamente fora do plano urbanístico de Brasília. Ainda assim, há 31 anos foi reconhecida como RA. Na gestão anterior, de Rodrigo Rollemberg (PSB), o GDF iniciou as melhorias, ações que foram mantidas e intensificadas no atual governo.

A Secretaria de Obras informa que os investimentos na RA XXX chegam a R$ 190 milhões – foram R$ 140 milhões em 2019 e outros R$ 50 milhões já neste ano. Apenas uma ponte de 82 metros de extensão e 13,8 metros de largura, que ligará a Rua 4 à Estrada Parque Taguatinga (EPTG), vai consumir RE 2,3 milhões. Tudo terá de estar pronto até dezembro, quando expira o contrato com a construtora.

Para Adisson Macedo, morador da Rua 6, os contratempos atuais são “o preço que a cidade que nasceu sem nenhum planejamento tem a pagar até o governo conseguir regularizar a situação”.

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