Entrevista com Jofran Frejat: “Vem pra cá, junta!”

Frejat quer unir toda a oposição para derrotar Rollemberg. Foto: Júlio Pontes

Líder nas pesquisas de intenção de votos para suceder o governador Rodrigo Rollemberg, o ex-deputado Jofran Frejat (PR) estranha que aliados tenham reagido mal ao lançamento de sua pré-candidatura. “Todos os outros candidatos se lançaram como pré-candidatos, e eu não. Tanto que falavam: ‘O Frejat não se define’. Depois que todo mundo se lançou, o PR resolveu apresentar o meu nome como pré-candidato”, conta, em entrevista exclusiva ao Brasília Capital. Mas alerta: “Temos que manter a união. Se nos desunirmos, seguramente daremos espaço para o adversário”.

Quais as maiores dificuldades o senhor tem encontrado nas tratativas com possíveis aliados para as eleições de outubro após o lançamento de sua pré-candidatura pelo PR? – Nosso entendimento é o seguinte: nós nos unimos, várias pessoas de vários partidos, com o objetivo de eleger alguém que não fosse do grupo do (Rodrigo) Rollemberg. Nessa reunião estavam Alberto Fraga, Alírio Neto, Paulo Octávio, Eliana Pedrosa, Tadeu Fillipelli, Izalci e eu. Foi proposto e decidido que aquele que estivesse melhor nas pesquisas à época da eleição teria o apoio dos demais.

Esse momento já chegou? – Ainda não chegou. Porém, partir do momento que o meu nome despontou – por razões simples: o recall da última eleição e o trabalho realizado na saúde – em vez de unir o grupo, nós percebemos algumas resistências. Todos os outros candidatos se lançaram como pré-candidatos, e eu não. Tanto que falavam: “O Frejat não se define”. Depois que todo mundo se lançou, o PR resolveu apresentar o meu nome como pré-candidato.

O partido está fechado com o seu nome? – Fechado. Tanto nacional, como local.

Mas há críticas de que é o senhor que está se lançando… – A partir do momento em que foi lançada a pré-candidatura e o nome apareceu, já me colocam como o cara que está “se lançando”. Coisa nenhuma. Disse: se tiver alguém em melhor condição, não tem problema. Vou respeitar o acordo.

Em que o senhor se sustenta para manter sua pré-candidatura? – As pesquisas apresentam meu nome bem, e em boa condição. Aí resolveram, numa nova reunião, que deveria ser feita outra pesquisa, com um instituto de fora de Brasília, porque muitos não acreditavam na pesquisa local. Por mim, sem problemas.

Mesmo assim, pelo visto, as divergências não cessaram… – Eu disse, numa entrevista, que não estava sendo mantido o entendimento anterior. Nada pessoal contra ninguém. Mas, se não mantém o entendimento agora, como a gente fica? Faça uma pesquisa. Não tenho nenhum problema. Temos que manter a união. Se nos desunirmos, seguramente damos espaço para o adversário.

O senhor fez uma sinalização de que poderia encabeçar uma aliança de centro-esquerda, com o PPS e com o PDT. Isso significaria o senhor ir para o lado de lá ou atrair esses partidos para o seu lado? – Evidentemente, trazê-los para cá. Já me convidaram para vários partidos. Eu digo: “vem pra cá, junta!”.

Sair do PR está fora de cogitação? – Não tenho interesse nenhum. Todo mundo conversou com o Cristovam Buarque, com o Joe Valle, com o Valmir Campelo… Eu não posso? Conversar eu converso. Ontem mesmo me convidaram para mudar de partido.

Para qual? – Para o PDT, novamente. E eu digo: “Não, vem para cá!”. O Valmir tentou me levar para o PPS e eu disse a mesma coisa.

Acha que é possível unir essas legendas em torno do seu nome? – Claro! Mas não preciso mudar de partido. É o que eu digo pra eles. Aqui eu tenho apoio nacional e local. Para quê eu vou para um partido onde não sei se terei o apoio? O que eu quero é estar aqui no PR e dizer: Vem MDB, vem PDT, PPS, DEM, PSDB, vem PTB, todo mundo! Junta aqueles que estão entendendo que o governo atual não está correspondendo.

Num eventual governo do senhor teriam espaço aliados ficha-suja? – Vou usar uma expressão que um amigo me ensinou: nós procuramos pessoas “qualificadas”. Esse entendimento é consenso no nosso grupo político.

E o seu vice? Se ainda não tem um nome, tem pelo menos um perfil? – A escolha do vice será no momento certo. A prioridade agora é manter a união do nosso grupo. Mas posso adiantar, que será uma pessoa qualificada, leal e em perfeita sintonia com as forças que apoiam nossa candidatura.

Qual é a sua perspectiva para Brasília a partir de 2019, após o processo eleitoral? – Brasília foi criada com o rótulo de “capital da esperança”. E nós estamos perdendo a esperança. As pessoas, em vez de fazerem uma escolha equilibrada, onde política e moral tenham que estar confundidas entre elas, só estão preocupadas em reclamar. Reclamar não resolve nada. Temos que mudar nossa cabeça. Brasília tem que ser o modelo, para ser o exemplo. Aqui é a Capital da República.

O atual governo está atendendo às expectativas da população? – Esta é uma pergunta que a população está respondendo todo dia. Ele tem muita dificuldade em corresponder. Não é meu estilo bater em ninguém. Faço minhas colocações daquilo que eu acho que deve ser dito. Durante a campanha de 2014 eu disse o tempo todo que ele não tinha experiência para administrar Brasília, pois não conhece a cidade e seus problemas. Nunca administrou outra coisa. Agora, o povo é que vai avaliar se eu tinha ou não razão quando falei aquilo. Aí, alguém diz: “Ah, você não fala mal do Rodrigo!”. E precisa?

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