Doleiro complica operador de Rollemberg

Lúcio Funaro e Paula Belmonte: deputada assume compromisso de continuar investigando o BRB.
Foto: Alexandre Motta

O depoimento do doleiro Lúcio Funaro, quarta-feira (28), na CPI do BNDES, pode trazer problemas para Ricardo Leal, apontado por ele como operador financeiro do ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB) junto ao Banco de Brasília (BRB).

Questionado pela deputada Celina Leão (PP-DF), Funaro disse que conhece Leal há 22 anos. “Talvez seja um dos maiores players do mercado financeiro. Não só com BRB, mas com várias outras fundações. Não só a nível federal, mas estadual”.

Funaro reiterou que o esquema de Leal era muito forte. “Ele tinha controle total sobre o Vasco Gonçalves (ex-presidente do banco), o Nilban de Melo Júnior (ex-vice-presidente) e o Adonis Assumpção (ex-diretor de Operações e Negócios)”. O doleiro disse que Leal comandava toda a estrutura instalada no BRB.

Funaro negou que tenha ocorrido alguma transação ilícita entre ele e Leal envolvendo o BRB ou Rollemberg, com quem disse só ter estado uma única vez. Reclamou, no entanto, do que chamou de represálias por parte do ex-governador quando esteve preso na penitenciária da Papuda.

Segundo ele, a perseguição também atingia o ex-senador Luiz Estevão.“Retiravam itens mínimos de sobrevivência naquele lugar, como travesseiro e sabonete que não fosse branco. Era uma ala do presídio que só ficam os vulneráveis. Não tinha necessidade nenhuma de fazer isso”.

O doleiro reafirmou que a perseguição funcionava como uma espécie de recado: ‘se você falar meu nome ou do Ricardo aí, sua situação vai piorar ainda mais’”, exemplificou.

A deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) quis saber se o BRB ainda sofre influência do grupo de Ricardo Leal. “Meu cartão foi cancelado há duas semanas. A gestão ainda está corrompida. Um banco não pode mandar uma notificação para um cliente sem assinatura. Ele tem que seguir os procedimentos das normas padrão de compliance do Banco Central”.

E emendou: “qual o motivo de cortar meu cartão de crédito e da minha esposa no mesmo dia que eu fui depor contra o Ricardo Leal? Retaliação. Eu não conheço outro nome que não seja esse”.

Funaro ainda aconselhou: “tem que apurar também se não houve fraude do BNDES, passando pelo BRB. Em se tratando do Ricardo Leal, tudo é possível. Paula respondeu que ela e Celina Leão (PP-DF), como representantes do DF, estão comprometidas em fazer a investigação.

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