Deus (nos acuda) acima de tudo!

Sem meias-palavras, mas com todos os palavrões e ofensas jamais vistos em reuniões de cúpula do governo, o time palaciano demonstrou que estava em campo para dar socos, pontapés e caneladas a torto e a direito (ou seria à “esquerda”?)

Vendo a reprise do jogo, percebemos que, entre os jogadores, pairava a sensação de que a melhor defesa seria o ataque. Ataque gratuito a Brasília, aos políticos (como se eles também não o fossem), ao STF, aos governadores, aos prefeitos e, por extensão, aos cidadãos descontentes com as propostas (ou a falta delas) a serem analisadas pelo governo.

Qual o argumento? É preciso “botar na cadeia” todo mundo que torce contra a cloroquina, a abertura do comércio, a intervenção militar, a volta do AI-5, a desregulamentação da legislação ambiental, a privatização, o arbítrio, a censura… Enfim, contra as táticas inusitadas do capitão do time, que age, quase sempre, na base do improviso.

Por tudo o que foi dito, percebe-se o quanto a equipe está sem rumo! No meio do apagão, o esquadrão verde e amarelo navega às escuras, tateando nas trevas da ignorância política, à procura de um galho à beira do barranco no qual possa se agarrar.

Galho esse que já tem nome e endereço certos: Alto comando das Forças Armadas (como se os militares fossem uma espécie de quebra-galho para salvar da falência um governo que se camufla na sombra do verde-oliva por absoluta falta de compreensão da face policromática de uma nação de todos e para todos – conforme preconiza a Constituição da República).

Se houve quem se assustasse com tudo o que foi dito, mais assustados ainda deveríamos ficar com o que não foi dito. Isto é, preocupação zero com o aumento constante do número de infectados pela covid-19 e os milhares de mortos país afora.

Para quem esperava que o novo governo pudesse implantar a nova política, ficou bem patente que a única novidade que realmente aconteceu – e causou profundo impacto em todas as áreas do país – foi o novo coronavírus.

Com a convocação e a entrada em campo dos “craques” em espertezas políticas, tomados por empréstimo da extrema direita do Centrão, o “técnico” do elenco tenta “armar” seus comandados na retranca, procurando neutralizar os contra-ataques certeiros advindos da esquerda que não cessa de reclamar, junto à arbitragem, o impedimento do Capitão.

O jogo é bruto e as jogadas são, quase sempre, rasteiras. A torcida está dividida entre os que vibram com as caneladas e os que desejam uma partida justa e limpa. O melhor resultado que se pode buscar, não passa pela defesa intransigente de “A” ou de “B”, mas tem a ver com a estratégia capaz de conduzir o País à vitória contra o autoritarismo e o desgoverno.

Resta-nos a esperança de que alguém acima de todos possa nos dar a cobertura necessária para vencermos a mesquinharia e superarmos o estigma que nos faz ser vistos e tratados como se fôssemos um time de várzea.

(*) Ex-deputado distrital

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