Ciclofaixa da discórdia

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Foto: Mardônio Vieira

 

João Carlos Bertolucci (*)

Desde que a ex-administradora Patrícia Fleury apresentou para a população de Águas Claras o projeto de criação das ciclovias e ciclofaixas, criado pela Secretaria de Gestão de Território e Habitação (Segeth), o assunto se tornou o pivô da discórdia entre ciclistas e entidades associativas da cidade.

As motivações para o embate surgiram em razão de o projeto defendido pela ex-administradora junto à Segeth previa a implantação de ciclofaixas nas principais avenidas de Águas Claras – a Castanheiras e a Araucárias.

Para a presidente da Associação de Moradores de Águas Claras (Amaac), Janyce Freire, o projeto de implantação das ciclofaixas foi apresentados “às pressas em algumas reuniões” e, além disso,  irá piorar o pesado trânsito da cidade e causará acidentes envolvendo os ciclistas.

“Desde o começo achamos o projeto muito vulnerável e mal elaborado. Nas avenidas Castanheiras e Araucárias existem pontos mais estreitos, onde a ciclofaixa precisará avançar para dentro da pista, o que  pode ser muito perigoso para os ciclistas”, alerta Janyce.

ft ciclofaixa2Conforme o projeto apresentado pela Segeth, a ciclofaixa terá 1,5m de largura, medida mínima estabelecida pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). No entanto, representantes de várias associações questionam a medida e alertam que em determinados pontos as duas principais avenidas ficam mais estreitas. “O grande imbróglio nesse projeto é que em determinados locais a ciclofaixa vai ter 0,90m, o que não é permitido pelo Denatran”, ressalta o arquiteto Orlando Silva, também integrante da Amaac.

O novo administrador de Águas Claras, Valdeci Machado,  concorda que o projeto deve ser revisto e apoia os questionamentos feitos pela comunidade. “Estamos avaliando os pontos principais desse projeto e vamos rediscutir tudo”, diz ele. Segundo Machado, a primeira medida que pretende adotar em relação ao projeto é implantar as ciclofaixas, inicialmente, apenas nas Boulevares Norte e Sul, conforme sugerido pelas entidades associativasi.

Para tentar equacionar o problema, representantes de diversas associações pediram o apoio da deputada distrital Telma Rufino (sem partido), que já se reuniu com representantes da Amaac, síndicos, com a Associação dos moradores de Águas Claras Vertical, com o administrador regional, além de técnicos do Detran, da Segeth e da Secretaria de Mobilidade.

A deputada e o administrador comungam com a ideia de que as ciclovias devam ser iniciadas pelas boulevares e não pelas principais, atendendo a comunidade. A parlamentar destinou mais de 10 milhões em emendas para Águas Claras, boa parte para obras de mobilidade como a construção de calçadas e ciclofaixas.

Telma Rufino ainda pediu atenção especial aos representantes do Executivo no sentido de chegar a uma solução que atenda aos ciclistas, aos motoristas e aos pedestres, e ressaltou que a comunidade deverá ser escutada sempre. “Não é razoável o poder público fazer uma intervenção tão séria na cidade sem antes consultar aqueles que serão diretamente afetados – os moradores”, encerrou.

 


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