Casa conectada, sonho ou realidade?

O projeto de uma casa ideal, na qual as tarefas são automatizadas e podem ser feitas com o mínimo esforço, já é uma realidade. E se um corretor descrevê-la num auditório lotado de eventuais compradores, com certeza vai ser interpretado como alguém que está querendo vender gato por lebre. E há bons motivos para desconfiar. Ei-los: comodamente sentado no banco estofado de seu carro, o proprietário do imóvel poderá realizar façanhas jamais antes imaginadas, como esvaziar ou encher a banheira de sua residência, determinando a temperatura da água e sem risco de transbordamento; apagar ou acender a luz, da mesma forma como ligar ou desligar o ar-condicionado; incluindo inúmeras funções que só poderiam ser executadas pessoalmente.

Essas e outras comodidades são viáveis graças ao grau de aperfeiçoamento atingido por empresas de tecnologia e fabricantes de eletroeletrônicos de países europeus e asiáticos, produzindo minúsculos aparelhos que facilitam sua interação com equipamentos domésticos, sistema mais conhecido pelo singular rótulo de “Internet das coisas”. Para comprovar a eficácia das invenções, elas foram exibidas no mês passado na Consumer Eletronics Show, numa feira norteamericana de Las Vegas, o que valeria como verdadeiro show surrealista, não fosse a realidade de que em 2010 já existiam cerca de cinco bilhões de aparelhos conectados em imóveis de países desenvolvidos, segundo a Ericsson, fabricante sueca de equipamentos de telecomunicações.

Nessa porfia de alta tecnologia, a empresa japonesa Line apresentou um sistema que possibilita ao interessado “conversar” com a sua casa, para conhecer todos os problemas e como solucioná-los. Por sua vez, os franceses da Parrot entraram no páreo com o “Flower Power”, um sensor que é colocado no jardim e manda mensagens no celular para avisar de que forma as plantas precisam ser regadas. Para não ficar atrás, a iniciante Kolibree projetou uma escova de dentes inteligente, capaz de detectar se a escovação está sendo feita de uma forma correta.

A propósito, pretendia comprar duas dessas escovinhas mágicas, para presentear as minhas netinhas Bárbara e Maria Luíza. Mas me informaram que esses produtos ainda não foram lançados no mercado nacional. Aliás, nem também os outros sensores, que realizam incríveis milagres nas casas conectadas.

O jeito é esperar que o Brasil saia do subdesenvolvimento.

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