Carnaval em Brasília: folia também terá sons caribenhos e medievais

Longe da tradição das marchinhas carnavalescas, o bloco Espírito Celta levará outros costumes ao público de Brasília em 2017. Com som autoral inspirado nas músicas escocesas e irlandesas do período medieval, os foliões se reúnem na Praça dos Prazeres (201 Norte) na terça-feira (28), data oficial da folia neste ano. O bloco é um dos 47 que vão receber apoio para infraestrutura por meio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), que destinará R$ 1,5 milhão aos eventos.


A ideia de criar o grupo surgiu em 2015, quando Raphael Barros Dorneles, de 35 anos, inspirado pelo crescente número de foliões na capital, sugeriu uma festa para o público específico. “São sonoridades alegres, dançantes, que, de certa forma, dialogam com o espírito carnavalesco, mesmo que não sejam comuns à época”, define o instrutor de ioga, que também atua como DJ nas apresentações. “É um espaço para aqueles que não gostam de carnaval, ou que não gostavam, até agora.”

O músico Caetano Rojas (camisa azul) e o DJ Raphael Dorneles tocarão músicas escocesas e irlandesas no bloco Espírito Celta na Praça dos Prazeres (201 Norte) na terça-feira (28.) Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Trajados com kilts (saia masculina típica escocesa), os integrantes do bloco se divertem com sonoridades dos ritmos folk, celta e medieval e inspirados na produção escocesa, russa, mongol e nas irish drinking songs — canções comuns nos pubs irlandeses, feitas para beber.

A música do bloco Espírito Celta vai ficar por conta do quarteto Kiaulles, do qual faz parte o gaitista e vocalista Caetano Rojas, de 34 anos. “Nosso repertório é grande, mas, depois de cerca de uma hora e meia de show, tocamos também alguns ritmos da música popular brasileira e do blues”, explica. O Kiaulles inclui ainda cajón, teclado, viola de gamba e violão.

Para a terceira edição carnavalesca, eles preparam duas novidades: a música tema da série Game of Thrones e Asa Branca, de Luiz Gonzaga, clássico do baião. “Acreditamos que a música é o alimento do espírito, e é essa energia que queremos levar ao público”, defende Rojas, que chega a tocar oito gaitas diferentes em um show. Os instrumentos variam em relação ao timbre e à afinação.


Entre as fantasias dos foliões para a festa, os organizadores apostam nas referências dos últimos anos, como roupas de camponeses, armaduras, trajes de dança do ventre e personagens de role-playing game (RPG), como fadas e gnomos. Em 2016, cerca de 400 pessoas compareceram ao evento, mas a expectativa para este ano está mais alta. “Com mais apoio para estrutura e divulgação, acreditamos que mais gente queira conhecer nosso trabalho”, torce Dorneles. Para os próximos anos, a ideia é fazer um evento entre os pinheiros do Parque da Cidade, para que todos dancem como se estivessem na floresta.

Sonoridades caribenhas no carnaval de Brasília

O bloco Ska Niemeyer apresenta-se em 28 de fevereiro na Praça dos Prazeres (201 Norte) e, em 5 de março, na Vila Planalto. Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

Os ritmos jamaicanos também serão contemplados neste carnaval. Outro bloco que recebeu incentivo para tocar na folia, o Ska Niemeyer, mistura o ska, o reggae e outros sons caribenhos às tradicionais marchinhas. “São ritmos que dialogam bastante com o carnaval, com alegria. O axé baiano, por exemplo, tem sonoridade similar à jamaicana”, compara o baixista e fundador do bloco, Vinícius Corbucci, de 25 anos.

Em 2017, o grupo formado por nove pessoas se apresenta na Vila Planalto, na ressaca da festa, em 5 de março. Antes, em 28 de fevereiro, eles fazem um show prévio na Praça dos Prazeres (201 Norte).

A primeira edição ocorreu em 2016, com o nome Carnamaica, que reuniu 350 pessoas na Vila Planalto. Sobre o novo nome, Corbucci conta: “É um trocadilho que brinca com o ritmo que amamos tocar e com uma figura importante do imaginário brasiliense. É tradicional, é de Brasília, e traz a jocosidade do carnaval”.

 

O bloco foi formado por amigos que já tocavam juntos em outros grupos de ska e ampliado com a presença de profissionais que participam de outros projetos autorais e carnavalescos. Guitarra, percussão, trombone, saxofones tenor e alto, trompete, bateria e baixo formam a banda, além de uma participação vocal. “A maioria das músicas é instrumental, levamos ao público clássicos da folia como marchinhas e frevos e propostas como medleys e arranjos que se misturam a reggaes e skas”, explica Corbucci, que compôs o Tema do Ska Niemeyer, com o objetivo de transformá-lo em hino no carnaval.

O brasiliense adianta ainda que pretende expandir a formação do grupo para outras datas festivas. “Queremos fazer outras releituras, como eventos de festa junina, com baião tocado em ska.”

Espírito Celta
28 de fevereiro (terça-feira)
Às 16 horas
Praça dos Prazeres (201 Norte)

 

Ska Niemeyer

28 de fevereiro (terça-feira)
Às 20 horas
Praça dos Prazeres (201 Norte)

 

5 de março (domingo)
Às 15 horas
Praça da Igreja do Rosário, Vila Planalt
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