Candidatos, mídia e sociedade

Sem espaço no rádio e na TV, candidatos do PSol fazem política no corpo a corpo com a população. Mas o período de campanha é curto

As eleições estão aí, batendo à nossa porta. Mas nas ruas o clima é outro. Pouca gente está empolgada, muitos desconhecem até os cargos que estão em jogo e os candidatos que estão na disputa. Esse clima é fruto do momento político por que passamos, com o descrédito não apenas para com a classe política, mas principalmente para com o sistema político em vigência, que, na visão de muitos, é um jogo de cartas marcadas.

As novas regras eleitorais em vigor contribuem muito para esta realidade. A campanha foi encurtada no calendário eleitoral, o período de horário eleitoral no rádio e na TV é mais curto e infinitamente menor o tempo de cada candidatura. Para ilustrar esta redução, peguemos o exemplo do Psol. Nas eleições de 2014, o candidato da legenda ao GDF dispunha de 1 minuto e 14 segundos para apresentar suas propostas. Este ano, é de apenas 9 segundos.

Como fazer o debate político em tão pouco tempo?
Como apresentar alternativas ao modelo político e ao modelo de políticos que ai estão e descontentam a cidadania? Os meios de comunicação de massa, em especial as emissoras de rádio e TV – concessões do Estado e que, portanto, deveriam estar a serviço da cidadania – se omitem.

Reduzem o debate eleitoral a simples cobertura de agendas e, em alguns casos, a entrevistas com candidatos a presidente da República e governador. Mesmo assim, não são todos que ganham tal oportunidade. Em muitos meios, esse é um privilégio de quem está na ponta das pesquisas. Pesquisas estas que, nas últimas eleições, não têm retratado fielmente o resultado das urnas.

Mídia Comunitária

Esse quadro de desinformação – que gera desânimo no eleitor – só não é mais grave por conta da ação da chamada mídia comunitária do Distrito Federal. São pequenas emissoras de rádio, jornais tabloides – como este Brasília Capital em que escrevo agora – blogs, youtubers e a guerreira TV Comunitária do DF, o Canal Cidade Livre.

Todas elas, de forma plural e democrática, vêm dando espaço a candidatos a deputado distrital, federal, senador e até a governador. Mas essas emissoras de rádio somam apenas umas três dezenas e são de baixa potência, não garantindo a cobertura em todo o DF.

Muitas já legalizadas, algumas operam só na internet – as webrádios – via facebook e instagram; e outras até de forma clandestina, as chamadas rádios livres, que não conseguiram obter ainda as demoradas autorizações da Anatel. Veículos que, em sua maioria, estão fora do beneplácito das propagandas oficiais e que se viram para sobreviver.

Sem as suas transmissões e publicações o cidadão de Brasília estaria num obscurantismo ainda maior nesse processo eleitoral. Que grande emissora fará o debate sobre as demandas do Recanto das Emas, do Paranoá, do Gama, da Estrutural? Que emissora cobrará de forma regionalizada os compromissos dos candidatos para com Ceilândia, São Sebastião, Brazlândia e Planaltina?

A importância desses veículos para a formação da cidadania cresce na medida em que a chamada grande mídia abandona sua missão constitucional de bem informar e de regionalizar sua informação.

Novas regras

Quem chegar ao Congresso Nacional e mesmo ao Buriti deverá pensar seriamente nesse segmento midiático. Brasília carece de uma política de comunicação voltada à pequena imprensa, a imprensa de bairro, de cidade-satélite. Ela não apenas é fonte de informação e de geração de emprego e renda, mas também de fomento à cidadania.

Como o próprio institucional da Associação Brasileira de Rádio Comunitária (Abraço) vocifera, é essa mídia quem entrevista o padre ou o pastor do bairro, que ouve o professor da escola, o médico do centro de saúde ou o comerciante da esquina. A cidadania pede seu direito a ter voz e, por meio da mídia comunitária, isso pode ser um passo importante.

No Congresso Nacional, carecem marcos jurídicos – que não interessam à grande mídia – que abranjam o pequeno comunicador. Que o funcionamento desses meios seja simplificado. Nos Estados Unidos, quase toda escola de ensino médio tem sua emissora. Em países como a França, há leis especificas que asseguram a sobrevivência midiática dos pequenos. É na mensagem por eles transmitidas que o pequeno cidadão também se faz ser ouvido.

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