Ary Barroso, o carioca que nasceu em Minas Gerais

Filho da cidade mineira de Ubá, onde nasceram outros brasileiros de renome, Ary Evangelista Barroso, mais conhecido como Ary Barroso, ou o homem que tocava os 7 instrumentos, inclusive piano, modalidade musical  que aprendeu ainda menino com sua tia Rita, quando ficou órfão de pai e mãe. Precoce, aos 12 anos começou a trabalhar como pianista auxiliar, no Cine Ideal, de Ubá.Podia iniciar esta crônica chamando-o de gênio.

Transferindo-se para o Rio de Janeiro, em pouco tempo ficou conhecido e famoso por compor sambas para o teatro musical carioca, inclusive atravessando a fronteira do Brasil, quando recebeu o diploma da Academia de Ciências e Arte Cinematográfica de Hollywood, pela trilha sonora do longa-metragem “Você já foi à Bahia?”, em 1944.

Magrelo, com o comprido nariz pendurado em enormes óculos de lentes grossas, muito embora míope de nascença, Ary enxergava longe a beleza física do gênero feminino.Embora bem casado com a carioca Yvone Belfort, filha da dona da pensão onde morava, Ary nunca escondeu que na letra de seu inesquecível samba “Na Baixa do Sapateiro”, ele se apaixonou pela morena mais charmosa da Bahia, a quem pediu apenas um beijo mas ela não deu, o que não impediu que lhe dedicasse este verso de amor: “morena, eu ando louco de saudades. Por isso vou pedir ao senhor do Bonfim, que faça uma baiana igualzinha pra mim!”.

Se essa baiana existiu de verdade, isso não importa: O coração de poeta é volúvel assim mesmo, basta conferir em todos os seus versos musicais, a exemplo de “O que é que a Baiana Tem?”, que virou filme em  Hollywood e foi imortalizado nos Estados Unidos pela cantora “Bomb-Shell” Carmen Miranda. Outras músicas e letras marcaram o talento do autor, como a exaltação de um país, “Aquarela do Brasil”!

Devido ao talento eclético, brilhou em promoções absolutamente pessoais, como político; animador de rádio e tevê – como vereador eleito com maioria de votos; criador da Hora do Calouro e radialista esportivo que usava gaita para assinalar os gols, os do Flamengo com entusiasmo contagiante porque era rubro-negro doente – aliás, como são doentes da cuca todos os flamenguistas!

Enfim: Ary foi o único carioca nascido em Minas Gerais, mais precisamente em Ubá, como já foi dito.

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