Após morte, Secretaria de Saúde proíbe cirurgias em clínica no Lago Sul

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A Clínica Israel Pinheiro localizada na QI 9 do Lago Sul foi proíbida de realizar procedimentos cirúrgicos pela Secretária de Saúde do Distrito Federal. Uma mulher de 56 anos morreu no local, na semana passada durante uma cirurgia plástica nas pálpebras após sofrer uma parada cardíaca.

De acordo com informações da pasta, uma vistoria foi realizada no instituto, na última sexta-feira (1º/4), onde decidiu-se suspender provisoriamente as atividades do estabelecimento até que os responsáveis apresentem documentos e procedimentos que comprovem as boas práticas de funcionamento e segurança dos pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos na clínica.

A direção do Instituto informou que a clínica não foi lacrada pela Vigilância Sanitária. Os atendimentos estão ocorrendo normalmente e somente os procedimentos cirúrgicos não vão ser realizados temporariamente. A empresa também esclareceu que está prestando todas as informações solicitadas pelos órgãos públicos e prestando apoio aos familiares da vítima. “As reuniões com a Vigilância acontecem diariamente. Apresentamos todos os documentos solicitados e também respondemos às dúvidas sobre as atividades realizadas no local”, respondeu a direção.
O caso

Maria Conceição deu entrada na unidade de saúde, na manhã de quinta-feira, para realizar uma cirurgia de retirada do excesso de pele das pálpebras. Após a sedação, a aposentada apresentou quadro de mal súbito, com edema na face e dificuldade de respiração. Uma UTI móvel chegou a ser acionada, mas a mulher morreu antes de ser transferida para um hospital. Durante o tempo em que ficou internada, ela recebeu doses de Midazolam, Fentanil e Droperidol. A Polícia Civil investiga as possíveis causas da morte. As principais suspeitas são reação alérgica, choque anafilático e rejeição à medicação. Os envolvidos serão intimados nos próximos dias para depoimento.

O cirurgião plástico e médico da rede pública de saúde Alexandre Figueiredo ressaltou que a operação para levantamento de pálpebra costuma oferecer pouca reação ao organismo, mas destacou a importância de sedar o paciente. “O procedimento é necessário para que o paciente não participe do andamento da cirurgia, porque pode existir a liberação de hormônio, e isso faz com que haja uma carga de estresse, com maior sangramento”, considerou.

No entanto, o especialista avalia não ter como prever uma reação anafilática, alérgica ou hipersensibilidade da bomba cardíaca do paciente no momento da operação. “Uma das reações mais prováveis pode ter sido a anafilática ou de medicação. Nós, que fazemos cirurgia plástica, trabalhamos com risco controlado. Mesmo as de baixíssimo risco, como é o caso, não quer dizer que não tenham risco. A cirurgia em si é uma agressão controlada ao organismo”, explica.

Amigos da família disseram que os parentes estão muito abalados com a tragédia, mas que não deverão processar a clínica. Maria Conceição tinha três filhas e era moradora do Condomínio Jardins Mangueiral, em São Sebastião.

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