Aliados fazem lobby para tentar salvar mandato de Eduardo Cunha

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Aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), têm procurado nos últimos dias integrantes do Conselho de Ética e líderes das bancadas para tentar assegurar os votos necessários para salvar o mandato do peemedebista.

Favores antigos, como cargos, indicações e auxílios financeiros a campanhas, têm sido cobrados. Uma das principais moedas de troca é o apoio em eleições municipais.

A disputa tem sido usada para tentar convencer o relator do caso de Cunha no conselho, Fausto Pinato (PRB-SP), a ser mais brando –ele é correligionário do pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Celso Russomanno.

O grupo acena com o apoio do Solidariedade à candidatura do aspirante a prefeito.

A sondagem esbarra, porém, na avaliação de que seria mortal para as pretensões eleitorais de Russomanno que seu partido patrocinasse uma salvação de Cunha.

Publicamente, o PRB nega pressões e conversas e diz que o relatório de Pinato será justo, rigoroso e técnico.

Aliados de Cunha querem convencer Pinato a propor uma pena mais branda, como uma censura ética. Argumentam que o peemedebista não é o único político citado nas investigações dos desvios na Petrobras, e que uma cassação poderia desencadear uma onda de punições contra os demais deputados envolvidos no caso.

Pinato é amigo de André Moura (PSC-SE), outro aliado de Cunha, que foi incumbido de conversar com o relator.

PARECER PRELIMINAR

As sondagens começaram em torno do parecer preliminar, cujo prazo para apresentação vence na próxima quinta (19). Pinato disse que não poderia barrar o caso em razão de compromisso firmado antes com o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA). Foi então que a ala “Cunhista” começou a apostar na possibilidade de abrandar a pena.

Além de Moura, a abordagem a membros do conselho é feita também por Paulinho da Força (SD-SP) e Jovair Arantes (PTB-GO).

Algumas conversas têm sido tensas. Na última segunda (9), Paulinho mal conseguiu abordar o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), a quem tentava persuadir a apoiar Cunha.

No mesmo dia, Sampaio foi com o líder da oposição na Casa, Bruno Araújo (PSDB-PE), informar pessoalmente a Cunha que os representantes da legenda no Conselho de Ética não votariam a favor dele.

No dia seguinte, na reunião de bancada, Sampaio pediu a Betinho Gomes (PE) e Nelson Marchezan (RS) que “sejam duros e representem a indignação de toda a bancada” no conselho.

Até então aliado a Cunha, o PSDB rompeu por avaliar que houve prejuízo à imagem do partido e que o peemedebista havia se alinhado ao governo para barrar um processo de impeachment contra Dilma Rousseff.


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