Água será racionada no DF a partir de segunda-feira

Barragem do Descoberto, principal reservatório de fornecimento de água para o Distrito Federal, com nível de água próximo aos 20%. Foto: Tony Winston/ Agência Brasília

Sem os investimentos necessários nos 15 últimos anos e sem chuvas em volume suficiente em dezembro e janeiro, a crise hídrica chega ao auge no Distrito Federal e não tem previsão para acabar. O esperado e tão anunciado, mas nada bem-vindo racionamento de água começa nesta segunda-feira (16) nas cidades abastecidas pela Barragem do Descoberto, onde vivem 1,8 milhão de pessoas (61,5% dos moradores do DF).

Sexta-feira (13), o volume na Bacia do Descoberto estava em apenas 18,85%. Os primeiros brasilienses a sentirem o impacto serão os moradores de Ceilândia, Recanto das Emas e Riacho Fundo II (confira o cronograma completo). Segundo a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa) e a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), a medida servirá para assegurar capacidade hídrica para o próximo período de seca.

Previsão

O primeiro racionamento da história do DF ocorrerá num ciclo de seis dias: um dia sem abastecimento (a partir das 8h), dois dias para religar e estabilizar o sistema e três de situação normalizada. As áreas afetadas são Águas Claras, Candangolândia, Ceilândia, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Park Way, Recanto das Emas, Riacho Fundo I, Riacho Fundo II, Santa Maria, Samambaia, Taguatinga e Vicente Pires.

Já as regiões abastecidas pelo reservatório de Santa Maria terão a pressão da água reduzida a partir de 30 de janeiro. O reservatório está em torno de 40%, o dobro da marca que leva ao racionamento. A crise hídrica já era prevista devido ao aumento da população, sobretudo em áreas que não estavam preparadas para isso, como as invasões de terras públicas.

Constatação

Em 2010, o Tribunal de Contas (TCDF) realizou auditoria e concluiu: “No Distrito Federal a quantidade de água demandada alcançou a disponibilidade hídrica dos mananciais utilizados para o abastecimento público e o DF corre o risco de desabastecimento caso alternativas não sejam implementadas em curto e médio prazo. Essa situação decorre da ausência de investimentos públicos tempestivos na expansão do sistema”.

Esperança no Bananal e em Corumbá IV

Em novembro, o GDF deu início à primeira grande obra para melhorar o abastecimento no DF em 16 anos: a represa do Bananal, que  custará cerca de R$ 20 milhões e deve ficar pronta em um ano. O Bananal levará água ao moradores do Plano Piloto, do Cruzeiro e do Lago Norte — 170 mil ao todo. A bacia desafogará o reservatório de Santa Maria, responsável pelo abastecimento dessas três regiões administrativas.

Além do subsistema do Bananal, outra obra é a construção do sistema de captação e distribuição de água na barragem de Corumbá IV, próximo a Luziânia (GO), com investimentos do DF, de Goiás e do governo federal. A água captada servirá a brasilienses e goianos. A execução está por conta da parceria entre a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e a Saneamento de Goiás (Saneago).

Verbas

No entanto, a obra iniciada em 2008 está parada porque o Ministério das Cidades suspendeu, em novembro do ano passado, o repasse de verbas federais por recomendação do Ministério Público Federal (MPF) na Operação Decantação, que investiga ilícitos em contratos e licitações da Saneago. O prejuízo pode alcançar R$ 6 milhões, segundo estimativa da União.

Com o agravamento da crise hídrica, o governador Rodrigo Rollemberg, e o vice-governador de Goiás, José Eliton, pediram apoio do ministro da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, Torquato Lorena Jardim, quarta-feira (11), na sede da pasta. Eles buscam uma solução para que os trabalhos — que avançam no lado do DF — sejam retomados em Goiás. O Ministério da Transparência participou da operação, que é conjunta com o MPF e a Polícia Federal, e por isso foi acionada pelos governadores.

O reservatório de Corumbá IV deverá abastecer, em 2018, 1,3 milhão de pessoas em residências do DF e de Goiás. Para o DF, a construção custa R$ 275 milhões e conta com financiamento da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.

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