A simbiose do gestual de Fernando Barreto

Acadêmico, restaurador, pintor. Não há como definir com só uma palavra a fértil carreira e a produção artística de Fernando Barreto. São centenas de pinturas, de diferentes décadas, que já percorreram mostras individuais e coletivas, no Brasil, Peru, Bolívia e Bélgica. A exposição Simbiose do gestual foi organizada pela família de Fernando Barreto como forma de fazer circular um pouco o rico acervo guardado em sua casa e ateliê, em Brasília. A curadoria é de Sônia Montagner.
Conhecido por artistas de sua geração, Fernando Barreto inicia o processo criativo de seu vasto acervo, nos anos 1980, época de sua aposentadoria da vida acadêmica.

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Esta exposição vai mostrar três séries de trabalhos realizados entre 2000 e 2007:

Gestual – pinturas em técnica mista: têmpera seca, óleo ou têmpera, e em alguns casos, a presença do desenho digital eletrônico;

Intimidade – utiliza-se da pintura à óleo de confecção mais tradicional, para retratar a imagem do corpo nos nichos da psicologia humana, com o emprego constante de duas cores: o vermelho e o branco;

Corpo Velado – foi realizada utilizando-se a técnica de xilogravura em superposição à pintura a óleo ou à tempera. Simbolicamente, representa o que somos e o que deixamos de ser. O segredo inconfessável de cada ser humano refletido no desaparecimento visual do corpo. Algumas telas se aproximam do abstrato.

 Fernando Barreto, além de pintor, foi o segundo diretor do Instituto de Artes (Ida) da UnB, onde atuou até 1968, quando a Universidade foi fechada pelos militares. Também foi professor de artes da Universidade Federal Fluminense (UFF).  Ele vem de uma família de artistas plásticos. É irmão do pintor Calmon Barreto. Nos últimos anos de vida, com problemas de vista causados por produtos químicos dos processos de restauração, começou a escrever contos.

 

Fernando Barreto

Nasceu em Araxá, Minas Gerais, em 22 de setembro de 1929. Estudou na Escola de Belas Artes da UFRJ e especializou-se em técnica de conservação e restauração de obras de arte no Instituto Real do Patrimônio Artístico, em Bruxelas, Bélgica. Em 1957 casou-se com a pintora e ceramista Sylvia Serra e juntos foram professores da Universidade de Belas Artes de Pernambuco. Entre 1959 e 1965, Fernando Barreto ocupou a cadeira de restauração de obras de arte da mesma instituição. Foi restaurador do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Trabalhou com a restauração de vários monumentos sacros, igrejas de Recife (PE), Teatro Municipal de Manaus (AM), entre outros.

É contemporâneo de artistas plásticos como Fedóra do Rego Monteiro, Vicente do Rêgo Monteiro, Mário Nunes, Mário Túlio, J. Bezerra, Ado Malagoli, Scliar, Sylvio Pinto, Raquel Arquelles, Funchal Garcia, Brennand, Reynaldo Fonseca, Cicero Dias, Virgolino, João Câmara, Edson Menezes, Alcides Santos, Siron Franco, Aldemir Martins, Rapoport e Lula Cardoso Ayres.

Após o fechamento da Universidade pelos militares, em 1968, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde acumulou as funções de diretor e professor do Instituto de Artes e Comunicação da Universidade Federal Fluminense e ali se aposentou, em 1080. Prestou serviços de restauração para vários museus, para o IPHAN e para colecionadores. Voltou para Brasília na década de 1990 e manteve um atelier em casa. Faleceu em 13 de setembro de 2014, perto de completar 85 anos, deixando uma vasta obra.

 

Serviço

Local: Galeria de arte do Templo da Boa Vontade

Endereço: Templo da Boa Vontade – SGAS 915 – Brasília DF

Data: 17 de novembro a 4 de dezembro de 2016

Visitação: Segunda a domingo, das 8h às 20h

Classificação indicativa: livre

Informações: 3114 1070

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