“A esperança voltou”

O vice-governador acredita que a dupla com Ibaneis pode se repetir na campanha de 2022. Mas, até lá, promete muito trabalho. Foto: Lorrane Oliveira

Paco Britto assumiu 20 vezes cargo de governador em substituição ao titular Ibaneis Rocha. O vice acredita que a dupla pode se repetir na campanha de 2022. Mas, até lá, promete muito trabalho.

Nesta entrevista exclusiva ao Brasília Capital, ele faz um balanço do primeiro ano da gestão e vê avanços em todas as áreas, da Saúde à geração de empregos. “Brasília ganhou a certeza de dias melhores porque viemos para fazer e não apenas para prometer”.

O que Brasília ganhou com a troca de Rollemberg por Ibaneis? – A população ganhou mais do que a esperança de uma Brasília melhor. Ganhou a certeza porque viemos para fazer e não apenas para prometer.

E o que já foi feito? – Fábricas de automóveis, que estão vindo para Brasília; aumentos para servidores que não foram dados no governo passado e foram cumpridos por nós; promessas de campanha cumpridas pelo governador Ibaneis e que se tornaram realidade, como a redução da cesta básica, o desenvolvimento, a segurança jurídica para trazer investimentos empresariais no Distrito Federal.

A Saúde é a questão que mais aflige a população. O que o brasiliense teve de ganho nessa área? – Um grande ganho, sem dúvida, foi a aprovação, na nossa primeira semana de governo, do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges), que, comprovadamente, está funcionando e, agora, vai construir as UPA com agilidade.

Houve uma denúncia, na mídia, mostrando que o governo tinha prometido UPA para o primeiro semestre e, perto de terminar o ano, nenhuma saiu do papel… – Justamente porque não fomos nós que preparamos o Orçamento. Veio do governo passado. O problema é que não tínhamos projetos. Por determinação do governador Ibaneis, essa ordem foi invertida. Hoje temos um book de projetos que podem ser elencados para qualquer distrital ou parlamentar federal, seja do governo ou da oposição, que queira o bem de Brasília – acredito que todos queiram – e que, realmente, queira alocar suas emendas parlamentares. Nos anos anteriores não havia projeto. Hoje temos.

O GDF vai contratar médicos? – Já contratamos 3.600 profissionais pelo Iges.

E os concursos? – Aí temos as limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Então não tem previsão? – Os que estão previstos estão na Secretaria de Economia e vamos soltar paulatinamente. Não adianta fazer concurso, cobrar taxa de inscrição e não poder contratar, não pegar cadastro reserva.

E o que melhorou na Segurança Pública? – Nas nossas pesquisas, a segurança está muito bem. A única coisa que não pode ser feita, mas é uma questão de educação, é o caso do feminicídio, um crime que acontece dentro de casa. Como é que você vai pôr um policial dentro da casa das pessoas? Falam em empoderar a mulher. Acho que tem que dar oportunidade de competição igual, não apenas discutir empoderamento.

Essa sua visão vai contra a visão das feministas… – Mas é minha visão, cada um tem a sua. Mas, no final, acredito termos o mesmo objeto de luta; que as mulheres possam ter oportunidades iguais.

E o que fazer com homens que agridem e humilham mulheres? – Já temos a Lei Maria da Penha. Acredito que pode haver uma fiscalização maior. Primeiramente, que não são homens. São pessoas com mau-caráter. Começa pela educação. Precisa ter educação em casa. Por isso digo que é preciso dar oportunidade para as mulheres serem independentes.

Na área de Educação, o governo enfrentou resistência dos professores com a implantação das escolas militarizadas… – Me desculpa, vou lhe corrigir igual corrijo a todos: Não é “militarizadas”. É “compartilhadas”.

OK. Mas o senhor acha que se justifica uma mudança na prática pedagógica, com militares dentro de salas de aula? – O militar compartilha toda a parte externa, de pátio e tudo. A parte pedagógica continua com o professor.

Mas tivemos discussões, gravadas em vídeos, de professores dentro de sala de aula com militares que interferiram na aula… – Teve vídeo sobre isso, mas não mostram os vídeos de algumas escolas em que professores tentam interferir na área externa ou no pátio do colégio.

Por que não mostram? – Isso eles não gravam. Só gravam aquilo que vai denegrir a imagem do governo. Mas está comprovado, por meio de pesquisas, que a população quer sim esse tipo de escola. Tive um exemplo em Planaltina. Estava num evento, uma mulher chegou e pediu. Por que isso ocorre? Qual o pai que não quer o filho educado, com princípios e segurança? Estou falando as coisas simples. Respeitar o próximo e o professor. Estudei, há muitos anos, em escola pública, e havia respeito. Era “sim senhor” “não senhor”…

Não se está podando as manifestações culturais? Por exemplo, as pessoas que gostam de usar cabelo rastafári, brincos e outros adereços e são proibidas? – Elas podem escolher a escola que quiserem. Agora, vamos fazer uma enquete diferente: Vamos perguntar para os alunos se eles querem sair? A gente topa fazer. É uma sugestão boa. Ninguém quer sair. Temos essa pesquisa. Ninguém quer sair. Então, quer dizer que está funcionando e é bom.

Qual é a previsão de aumento do número dessas escolas? – Grande parte agora será transferida, pelo governo federal, para a militarização por meio de um programa do presidente Jair Bolsonaro, que vai militarizar várias escolas do País. Vamos dar as nossas.

O governo Ibaneis vem se equivalendo, em muitos aspectos, ao do ex-governador Joaquim Roriz, principalmente, na área de habitação. Já anunciou que nos 4 anos entregará 60 mil habitações. Essa inspiração é mesmo Roriz? – É. O governador Ibaneis quer fazer um governo voltado para o pobre. Como ele mesmo fala, rico não precisa, quem precisa é o pobre. Fomos o único governo – e encho a boca para falar – que, no primeiro ano, entregou habitação. Agora foram 135, e temos outras para entregar na próxima semana no Parque do Ipê Amarelo, em São Sebastião.

É do Minha Casa Minha Vida? – Mudou de nome. Agora é Faixa 1, Faixa 1,5 e Faixa 2.

Outra área que o governo tem investido muito é a da infraestrutura, por exemplo, em Vicente Pires. Esses investimentos vão se estender a outras áreas carentes? – Vamos estender a todas, mas Vicente Pires foi uma situação que fiquei muito presente, por determinação do governador. Foi emergencial. Aconteceu até uma surpresa. Alguns moradores estavam organizando uma manifestação e eu estava em exercício. No dia seguinte, chamei o pessoal e avisei: Amanhã, às 5 da manhã, todo mundo lá. Vamos tomar café em Vicente Pires. Acabou a manifestação. Mostramos que já fizemos muito.

Ali o problema é antigo… – Herdamos uma colcha de retalhos. Em um trecho na Rua 3 tem meia dúzia de construtoras contratadas por licitação e não tem segundo colocado. Então, essa meia dúzia ganhavam e loteava as obras. A boca de lobo ligava nada a lugar nenhum. Tivemos de entrar e fazer nossos projetos porque não tinha nenhum. Precisamos pagar os atrasados. Hoje, não temos nenhuma construtora com pagamentos atrasados. Zero. As obras estão em dia.

Tem muita reclamação da qualidade do asfalto… – É. Agora você vai ver: No ano que vem vão ter outras ruas com os mesmos problemas das Ruas 10, 4 e 3, que vai ser a próxima etapa. Isso é óbvio.

Outro problema recorrente, principalmente para quem mora nas cidades-satélites, é o transporte público e a mobilidade urbana. Quais outras obras estão no planejamento do GDF após a conclusão do Trevo de Triagem Norte? – Mesmo lá ainda temos alguns transtornos, principalmente até a conclusão do alargamento da Ponte do Bragheto. Mas vamos para Taguatinga. Entregamos o viaduto – só falta a selagem para as pistas do expresso, do viaduto. Tiramos todas as contenções debaixo e as pistas já estão liberadas.

Vai sair o viaduto da Samdu e o túnel? – O início da construção do túnel já foi liberado. Estava bloqueado no Tribunal de Contas e no TJDFT, mas já foi liberado.

Quando começa a obra? – Provavelmente, no ano que vem. Sem data ainda porque está em estudo nas Secretaria de Obras e de Economia. O recurso já tem: são R$ 70 milhões para começar. Mas, para começar a obra sem causar muito transtorno no trânsito, vai depender da reforma da Hélio Prates, que vai ser feita agora. Começa em janeiro. Tem de ser primeiro lá porque, caso contrário, ninguém anda. Grande parte do tráfego da EPTG vai ser desviado para lá. Estamos alargando as pistas de ônibus na Elmo Serejo. Estamos preparando.

O que o brasiliense pode aguardar do GDF para 2020? – Pode aguardar muita obra em todos os cantos da cidade.

Quanto em investimentos? – Mais de bilhão só em obras, o que vai alavancar também a geração de empregos. Muitas empresas vindo para o DF, uma promessa do governador Ibaneis. O programa Destrava-DF prevê que todas as empresas que vierem para Brasília terão segurança jurídica garantida pelo Estado. Estamos fazendo projeto de Estado, não de governo.

O senhor assumiu o governo vinte vezes neste primeiro ano. O governador já se posicionou como candidato à reeleição. Não foi precipitado? – Não. Ele tem de firmar a posição dele. Acho que o projeto mesmo ele vai fazer no fim do ano que vem. Se ele falar que almeja a reeleição, pretendo repetir chapa.

E se ele não for candidato, o senhor seria? – Não. Sou candidato Ibaneis. O que ele for, vou ser para dar sustentação política a ele.

Em meio aos seus aliados do Buriti tem pelo menos dois que estariam interessados em concorrer: O senador Izalci Lucas e o presidente da Câmara Legislativa, Rafael Prudente. Eles poderiam ser alternativas dentro do grupo político de vocês? – Um é aliado e o outro é oposição. O senador Izalci é parceiro de Brasília, mas não é aliado do governo. O Rafael é aliado, é presidente do MDB, partido do governador. É uma construção. Ninguém é candidato de si mesmo. A chapa atual está dando certo. Por isso que falo que gostaria de repetir a chapa. Hoje, repetiria a chapa, se o governador assim quisesse. MDB-Avante. Agora, para declarações, está muito precipitado. Ninguém sabe nem o que vai acontecer no governo federal. Crescemos a economia do DF mais do que a do governo federal. Isso mostra como o governador e sua equipe estão trabalhando.

Como está a relação com o presidente Bolsonaro? – Muito bem mesmo.

Não há submissão? – Zero. A parceira está boa. Brasília vai ter uma surpresa aí no fim do ano sobre o Fundo Constitucional.

Que surpresa? – Aí tem de esperar para ver.

Existe a possibilidade de Ibaneis e Bolsonaro estarem no mesmo palanque em 2020? – Fizemos uma campanha paralela à de Bolsonaro. Não trabalhamos juntos. Então, está sendo construída uma relação do governador Ibaneis com o presidente Bolsonaro. Claro que eles poderão estar juntos, até mesmo como companheiros de chapa.

Qual a sua mensagem para Brasília neste fim de ano? – Quero reforçar aos brasilienses o que disse anteriormente: Tenham certeza de que a esperança voltou. A esperança é o governo Ibaneis.

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