1º de Maio e os ataques aos direitos dos trabalhadores

1º de maio foi escolhido para homenagear trabalhadores de Chicago que deflagraram uma greve nesse dia, em 1886, pela redução da jornada de trabalho de 17 horas para 8 horas. O ato foi brutalmente reprimido, mas anos depois vários países adotaram a jornada de 8 horas e o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador. No Brasil, a data foi oficializada em 26 de setembro de 1924 como um dia era de protestos. Mas essa caraterística foi dissolvida por Getúlio Vargas, que trocou o nome de Dia do Trabalhador para Dia do Trabalho, e alterou a concepção de dia de luta.

Essa luta assegurou conquistas, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Carteira de Trabalho; salário mínimo; FGTS; jornada de 8h; férias e descanso semanal remunerados; 13º salário; insalubridade; adicional noturno; seguro-desemprego; licença-maternidade e paternidade; aposentadoria; Justiça do Trabalho, o fim do trabalho infantil, etc.

Mas as elites ricas nunca aceitaram. Sempre tentaram acabar com esses direitos.  E conseguiram isso após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Aprovaram a reforma trabalhista que desmontou a CLT. Nesta entrevista, Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF, afirma que, com a extinção de direitos, é preciso resgatar a luta do início do século 20.

Entrevista Rosilene Corrêa

Rosilene Corrêa: Diretora do Sinpro-DF
Foto: Júlio Pontes/BsB Capital

Quais são os ataques à classe trabalhadora brasileira? – Aos direitos trabalhistas, sociais e até humanos. Estamos num estado de exceção que começou com o impeachment da presidenta Dilma. Denunciamos que o impedimento não era contra ela e, sim, contra os trabalhadores, e era um atentado à democracia. Dito e feito. Foram aprovadas a reforma trabalhista e a terceirização do serviço público, entre outras.

Por que a reforma trabalhista é um ataque aos trabalhadores? – Porque extinguiu direitos e fragilizou as relações de trabalho. Enfraqueceu os sindicatos e colocou o trabalhador para negociar diretamente com o patrão. Colocou a Justiça do Trabalho sob risco de extinção e outra série de prejuízos.

E a reforma da Previdência? – A reforma é para acabar com a seguridade social. É importante lembrar que a Previdência não é só a aposentadoria. Integra um conjunto de seguros que ajuda os trabalhadores nas horas difíceis, como o seguro desemprego, pensão por morte, licença maternidade e outros benefícios que, juntamente com o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), representa o fim da assistência do Estado ao cidadão necessitado.

O que podemos tirar de lição deste 1º de maio de 2019? Que temos uma grande quantidade de lutas para enfrentarmos juntos. Só assim o Brasil voltará a olhar para os trabalhadores como prioridade.

Nesse cenário, como fica a educação? – A educação é o caminho da justiça social. Por isso, de 2003 a 2014, houve investimentos na melhoria do ensino e na construção de novas universidades, creches e escolas de ensino básico. Hoje, o governo Bolsonaro a ataca para destruí-la. É tão sério que ele demoniza os professores e os calunia, chamando-os de doutrinadores, e atua para emburrecer o povo. Cortou 30% do orçamento financeiro das universidades e, para isso, chamou de “balbúrdia” os trabalhos de extensão feitos com as comunidades. É a desculpa dele para desmontar a universidade pública. 

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