De arrepiar!

Neste domingo (30) o país resgatou o prazer de torcer pela sua seleção. As atuações na Copa das Confederações vinham sendo convincentes, mas ainda restava uma certa desconfiança sobre o poder de fogo da equipe. Até a final contra a Espanha.

O Brasil jogou com autoridade. Há muitos anos não nos sentíamos os melhores do mundo, mas hoje vamos dormir com essa sensação, embora isso não seja necessariamente verdade.

O time ganhou identidade, já podemos dizer que temos uma base. Como muitos críticos, pra mim não é muito fácil reconhecer os avanços do nosso escrete. Afinal, de um jeito ou de outro, aquela camisa amarela, de tantas glórias passadas, está inexoravelmente associada aos desmandos da CBF, do Sr. Ricardo Teixeira e do seu sucessor, o não menos detestado José Maria Marín.

Felipão, com seu mau-humor irritante, há muito não inspira confiança – que o digam os sofridos torcedores do rebaixado Palmeiras. Nosso maior astro não fazia jus à fama que o precedia. Não tínhamos goleiro, a zaga não era de confiança, não tínhamos um meio campo à altura da nossa história…

De repente, as peças encaixaram. Júlio César renasceu; Thiago Silva e David Luiz tomaram conta da defesa; Marcelo criou juízo; Paulinho e Luiz Gustavo deram equilíbrio e segurança no meio, proporcionando uma conexão entre defesa e ataque que parecia não mais existir no futebol brasileiro; Fred mostrou que é o cara do ataque; Hulk exerceu importante papel tático; e o principal… Finalmente, apareceu o futebol do menino-gênio. Neymar mostrou seu cartão de visitas ao mundo.

Depois deste 30 de junho, o novo atacante do Barcelona começou a consolidar seu nome definitivamente na história contemporânea do futebol.

Mudamos da água pro vinho. Foram incontestáveis 3 a 0 na grande Espanha, o “Brasil dos tempos modernos”, a grande força do futebol desta década.

A partir de hoje, o Brasil certamente estará em todas as listas de favoritos para 2014. Não o grande favorito, mas estamos na briga.

Ainda falta um ano para o mundial, muita coisa pode mudar até lá. E uma coisa preocupa: Felipão praticamente já tem um time na cabeça para a Copa do Mundo. E é esse que venceu a Copa das Confederações. O problema é que ainda faltam muitos meses até lá. E quem está bem hoje, não necessariamente estará bem amanhã. Na Copa de 2010 padecemos desse mal. Grafite, Julio Baptista, Josué e outros garantiram vaga cedo demais, e chegaram claudicantes à África do Sul.

Por enquanto, vamos aproveitar o momento. Escutar 70 mil vozes no Maracanã entoando “ôôô, o campeão voltou” foi de arrepiar!

Do lado de fora, as manifestações prosseguiram, retrato de um Brasil de contrastes.

Por Sérgio Camelo

 

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