Ulysses Guimarães, o saudoso incorruptível

No cenário festivo desta semana brasiliense, o destaque ocorreu na quinta-feira (6), no teatro Unip (913 Sul), por conta do show protagonizado por Gal Costa, Nando Reis e Gilberto Gil, comemorativo dos 100 anos do ex-deputado paulista Ulysses Guimarães. É oportuno lembrar que o saudoso parlamentar figura no pedestal histórico como um dos poucos de sua geração de políticos que nunca teve “telhado de vidro”, ao contrário dos atuais deputados e senadores do seu PMDB, atingidos pelo forte jorro da Lava-Jato, que continua promovendo verdadeira “limpeza” no Congresso Nacional.

Nascido na Vila de Itaqueri da Serra, hoje Itirapina, no interior de São Paulo, Ulysses complementou com brilhantismo seus estudos universitários na capital paulista, bacharelando-se em Direito na tradicional Faculdade do Largo de São Francisco, na qual também se diplomaram nada menos de 12 presidentes da República. Inicialmente, ele optou pela magistratura, lecionando nas faculdades de Direito da capital, de Itu e Bauru.

Mas estava escrito nas estrelas que a verdadeira vocação de Ulysses era a Política (com “p” maiúsculo), conseguindo o record de cumprir 11 mandatos na Câmara Federal (de 1951 a 1995), elegendo-se três vezes como presidente daquela Casa. Enfrentando de peito aberto os generais da ditadura de 1964, que duraria 21 anos, e participando de todas as campanhas pelo retorno do País à democracia, ele atingiu o seu auge de atuação política como presidente da Assembléia Nacional Constituinte, com a aprovação da Constituição em 5 de outubro de 1988, que ficou conhecida como Constituição Cidadã, pelos avanços sociais que incorporou.

Não obstante seu ostensivo currículo de político de mãos limpas e de comprovada competência, Ulysses Guimarães não atingiu o mais alto cargo de dirigente da Nação quando se candidatou a presidente da República em 1989, tendo como vice o baiano Waldir Pires (idem incorruptível). E, historicamente, ficou evidente que o brasileiro não sabe votar: a chapa Ulysses-Waldir ficou em 7º Lugar, com 4 % da preferência dos eleitores.

E o mais triste, para não dizer trágico: Ulysses Guimarães morreu em acidente aéreo em 12 de outubro de 1982, quando o helicóptero em que viajava caiu no mar a sobrevoar a baía de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro.  

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