Na CPI da Saúde, empresário acusa Renato Santana de “armação”

 

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Lira (2º à direita) pediu que Renato Santana seja convidado à CPI para prestar esclarecimentos. Foto: Rinaldo Morelli/CLDF

“Eu trabalho honestamente, não recebo o pagamento e ainda sou chamado de ladrão”. O protesto foi feito pelo empresário Marcelo “Radical” no depoimento que prestou à CPI da Saúde, na reunião realizada na manhã desta quinta-feira (24). Ele negou que tenha participado de qualquer intermediação para liberação de pagamento de dívidas de contratos junto à Secretaria de Fazenda, assegurando aos distritais que jamais teve qualquer elo com servidores que poderiam agilizar pagamentos.

Acompanhado de dois advogados, Radical informou aos distritais da CPI que está processando o vice-governador do DF, Renato Santana, por ter dito em depoimento na mesma CPI que ele estaria atuando junto a outros empresários para agilizar pagamentos de contratos na área da cultura. “Essa denúncia é irresponsável, distorcida”, ressaltou o empresário, afirmando ser vítima de “armação”.

Disse que, na verdade, entrara com uma ação de cobrança na Fazenda Pública do DF para receber dívida pela prestação de serviços ao GDF na área de montagem de estrutura para eventos. Para o depoente, a versão apresentada pelo vice-governador poderia ter sido sugerida por advogados, no sentido de desviar o foco das investigações.

Ele disse que, assim como ele, mais de cem empresários foram prejudicados pelos atrasos no cronograma previsto para pagamento das dívidas. “O tempo passou e nada. A dívida continua”, reclamou, lembrando que muitos empresários “quebraram” em virtude de empréstimos que realizaram para continuar trabalhando no DF. O empresário comentou que com suas explicações esperava “um ponto final nessa história”.

O deputado Lira (PHS), relator da CPI, pediu que Santana fosse reconvidado a depor para esclarecer os fatos, já que ele se recusou a comparecer, em 15 de agosto, para acareação com a presidente do Sindicato dos Servidores na Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues.

Radiologia – No primeiro depoimento da sessão ordinária de hoje, o vice-presidente do Sindicato dos Técnicos, Tecnólogos e Auxiliares em Radiologia do DF (SINTTAR-DF), Ubiratan Ferreira, fez duras críticas à gestão da Secretaria de Saúde do DF, sobretudo em relação à falta de contrato de manutenção dos aparelhos de radiologia, mamografia, ressonância magnética e densitometria. “O governo está prevaricando”, acusou o servidor e sindicalista, que trabalha como auxiliar em radiologia no Hospital da Asa Norte (HRAN).

Ferreira apresentou um balanço negativo no qual aponta um número elevado de aparelhos quebrados – e sem manutenção – em vários hospitais públicos do DF que, segundo ele, estão prejudicando milhares de pacientes, como no Hospital de Base, onde revelou que cerca de 40 pacientes com câncer deixam de fazer todos os dias sessões de quimioterapia, com a desativação do equipamento de cobalto.

O servidor denunciou que a campanha do Outubro Rosa, feita pelo governo no DF, foi um fracasso, “apesar de tanto dinheiro gasto à toa”. Ele disse que oito mil mamografias foram reprimidas. Ele contestou também a prioridade que vem sendo dada pelo governo em terceirizar os serviços não realizados na área da radiologia, levando aos distritais uma edição do Diário Oficial do DF com a lista de clínicas particulares que estão sendo beneficiadas com o não-conserto dos equipamentos naquela área.

Um dos exemplos citados pelo depoente de má gestão da saúde foi o fato de uma sofisticado aparelho de PetScan continuar há mais de três anos desativado no Hospital de Base, com a garantia de manutenção já expirada, sem que o governo tenha iniciado as obras. “Falta tudo nos hospitais, até mesmo filme de raio-X e contraste. Muitas vidas poderiam ser salvas se os aparelhos fossem consertados”, advertiu.

 

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