Metroviários não vão receber por dias parados em greve, diz Rollemberg

 
 

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, disse nesta terça-feira (16) que não pretende pagar os servidores do Metrô pelos dias parados durante a greve, iniciada em junho. O depósito integral dos salários é uma das condições impostas pelo Sindicato dos Metroviários para aceitar um acordo e poder voltar ao trabalho, após mais de dois meses de paralisação.

“As pessoas têm que perceber que as atitudes têm consequências. Não dá para a pessoa ficar 60 dias em greve, trazendo imenso prejuízo e imenso desconforto para a população e achar que depois disso vai receber os seus dias como se tivesse trabalhado normalmente”, declarou o governador.

Diretor financeiro do sindicato, Quintino Sousa afirmou que a entidade pretende levar o impasse com o Palácio do Buriti à Justiça se não houver acordo. Uma audiência de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) está marcada para as 14h desta quinta (18). Caso não haja conciliação, os desembargadores terão de decidir os próximos passos da mobilização.

As pessoas têm que perceber que as atitudes têm consequências. Não dá para a pessoa ficar 60 dias em greve, trazendo imenso prejuízo e imenso desconforto para a população e achar que depois disso vai receber os seus dias como se tivesse trabalhado normalmente”
Rodrigo Rollemberg, governador

“Não existe acordo sem abono de faltas. A greve foi ocasionada pela incompetência da administração. Querem cobrar dos trabalhadores algo que foi culpa deles, até porque a categoria evitou o movimento enquanto pôde”, disse Sousa. “O que vemos é que o governo não tem se movido para resolver a situação.”

Entre as demandas dos metroviários estão a reposição das perdas com a inflação e melhorias de condições de trabalho.

“Queremos um ambiente de trabalho ergonômico, que não adoeça tanto o trabalhador, com escalas de trabalho, onde a empresa não fica colocando sobre um empregado o trabalho de quatro outros”, continuou o sindicalista.

 

Passageiros aguardam para embarcar em trem do Metrô no Distrito Federal (Foto: Andre Borges/Agência Brasília)
Passageiros aguardam para embarcar em trem do Metrô no Distrito Federal (Foto: Andre Borges/Agência Brasília)
 

Greve não abusiva
No fim de julho, o TST decidiu pela legalidade da greve. A sentença determinava que os dias de paralisação não podem ser descontados da folha. Se o corte de ponto já tiver sido feito, segundo o TST, o Buriti terá que emitir pagamento complementar.

A decisão provisória é assinada pelo presidente em exercício do tribunal, ministro Emmanoel Pereira. Na ocasião, o Metrô confirmou ao G1 que houve corte na folha de julho, mas disse não saber qual será o procedimento para repor os pagamentos.

O diretor jurídico do sindicato, Júlio Oliveira, afirmou que os trabalhadores foram descontados em pelo menos 20 dias de trabalho. Durante a Olimpíada, os funcionários trabalharam normalmente por determinação judicial.

Entenda a greve
Segundo o sindicato da categoria, há déficit de cerca de 800 funcionários. A entidade diz que há 900 aprovados em concurso aguardando covocação. O quadro atualmente tem 1,2 mil servidores.

Os servidores cruzaram os braços em 14 de junho para pedir a convocação dos aprovados no concurso de 2014 e a reposição da inflação anual na data-base (pouco mais de 9%). O salário inicial de um agente de segurança da empresa é de R$ 2,9 mil, o mais baixo da empresa. O maior salário inicial é o de engenheiro – R$ 6 mil.

Durante a greve, o Metrô está funcionando apenas em horários de pico – das 6h às 9h e das 17h às 20h30. Na noite desta quinta, equipes do Exército e da Polícia Militar fizeram uma simulação de resgate de atentado terrorista na estação Central, na rodoviária do Plano Piloto.

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