Érika Kokay vai à Justiça contra vídeo que a acusa de defensora do incesto

Érika Kokay diz que é vítima de um crime e que, neste caso, compete à Justiça punir os criminosos. Foto: Agência Câmara

 

 

A presidente do PT em Brasília, deputada federal Érika Kokay, está movendo processo na Justiça contra o que considera fraude e crime cometidos contra ela por causa da divulgação de trecho de uma palestra sua, feita em 2016, a um grupo de sindicalistas do Paraná. A partir daí, foi acusada de defender o incesto. A manipulação foi feita na edição do vídeo do evento. Curiosamente, é a deputada que acusa os que ela denomina de fundamentalistas de defenderem o incesto ao pregarem a existência de apenas um tipo família, classificada por ela de patriarcal.

Érika estava defendendo uma escola livre do machismo, do racismo e da LGBTfobia.  Quando ela estava argumentando que os fundamentalistas desejam que exista apenas um modelo de família: “É escola é política de gente inteira (…) É a política que está em todo canto. Se tem igreja em todo canto, se tem bar em todo canto, também tem escola em todo canto. E política que mais dialoga com a sociedade, que mais dialoga com a comunidade, que mais dialoga com a família, que mais dialoga com as expectativas e com sonhos, ou com a ausência deles. Por isso, eles querem romper a laicidade do Estado e implementam uma construção de ideologia de gênero, que ela é uma tentativa de sair do discurso essencialmente religioso e fazer a ponte com o discurso ideológico da extrema direita deste País”.

“Anarquia”

Foi aqui, na sequência de seu pronunciamento que houve a extração de afirmações usadas para atacar Érika. “Porque ali eles dizem ‘defender a família patriarcal, é defender a sociedade de classe. Porque se se distrói a família patriarcal se distrói a propriedade e se distrói a própria sociedade de classe…’”. Este é o trecho seguinte utilizado para difamar a deputada na internet. “(…) e daí se constrói uma anarquia. Essa anarquia vai invadir e enfrentar a ordem e os tabus. Por isso, será uma sociedade incestuosa. Se constroi uma discussão que a partir da família patriarcal, da eliminação da família patriarcal, nós construímos uma sociedade incestuosa”.

“(…) Se eu construo a anarquia, eu destruo a ordem. Eu também vou destruir um dos tabus mais universais da humanidade, que é o tabu do incesto, e vou construindo a concepção da ideologia de gênero para promover os diálogos entre os fundamentalismos que foram, em grande medida, por Eduardo Cunha…(ex-presidente da Câmara cassado e atualmente preso)”. A deputada afirma que a intenção de colocá-la como defensora do sexo entre parentes consanguíneos e uma forma de vingança. Uma retaliação por causa das causas que ela defende.

“Boi, bala e bíblia”

Especialmente, no caso em que os fundamentalistas, que Érika divide como “boi, bala e bíblia”, querem alterar o Código Penal, de 1940, para impedir que uma mulher faça aborto por estar grávida depois de estupro. Ou na hipótese de a gestação colocar sua vida em risco. A deputada disse ao Brasília Capital, nesta terça-feira, que já estavam até com lista de assinaturas para pedir a cassação de seu mandato parlamentar. “A mentira não prospera, mas querem intimidar”, afirma.

Como “o limite é o ataque”, até os três filhos da deputada foram envolvidos na polêmica ― as fotos deles foram retiradas da internet depois. Mas a deputada tem cópia de tudo para embasar a ação judicial, onde serão citados parlamentares que se envolveram no compartilhamento da mentira. “Eu estava referindo-me ao raciocínio deles”, afirmou Érika, reafirmando que também defende a família tradicional, com pai e mãe, com a diferença de que luta pelo direito de existência também de outras formas de relacionamentos familiares

O vídeo acusando a deputada começou a ser visto no sábado (11)  e na  segunda-feira (14) ela respondeu nas redes sociais. No Facebook, por exemplo, Érika afirma que não será intimidada por causa disso. Seu argumento é o de que, se o ataque é covarde e criminoso, que se deixe então o caso com a Justiça. E não um crime contra ela, “mas contra as posições de quem defende os direitos das mulheres e os direitos LGBT”, diz em vídeo. E encerra pedindo a quem a vê: “Ajude a contestar este crime e esta mentira. Eu conto com você”.

Veja o vídeo em que a deputada se defende

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