Viva a Odair José e a Amado Batista!

Quem não se recorda da santa ingenuidade e aparente despretensiosa aparição do cantor goiano Odair José, consagrado terror das empregadas, nos anos 1970? Ele foi seguido pelo conterrâneo de Catalão, Amado Batista. Este transformou-se em lixeiro, sofreu, comeu o pão que o diabo amassou e jamais abdicou do amor implacável de uma empregada doméstica, por quem se apaixonou perdidamente. Hoje, portanto, se constata não ter sido em vão esta empreitada e o empunhamento de uma bandeira antes jamais defendida.

Foram eles – especialmente o primeiro – os precursores a enaltecer tão nobre profissão, que somente agora, mais de quarenta anos depois, veio a ser reconhecida como tal.  Promulgada a Emenda Constitucional 72, as empregadas domésticas, que são a maioria da categoria, passam a usufruir dos mesmos direitos dos demais trabalhadores, tornando-se irreversível a longa viagem, que aporta em ancoradouro seguro, onde desembarcam sonhos alentados desde o período colonial, de um dia deixarem a Casa Grande, sem passar pela Senzala. E, agora sim, disputam o espaço conquistado, em pé de igualdade com as demais profissões já regulamentadas.

Resta saber se a maestria de certos patrões, experts em burlar a lei e subtrair direitos, não está a espalhar noticias em rede nacional sobre os riscos de possíveis desempregos. Ou então, por que razão se teriam tornado públicos tantos cálculos de horas extraordinárias e outros tantos custos ao holerite mensal?

Então, deixe essa vergonha de lado.

Você não é mais uma simples empregada, e, mesmo que fosse, assim como o cantor, em nada iria modificar o meu amor por você.

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