Vereadora eleita é vítima de injúria racial e ameaças em Joinville

Ana Lúcia Martins (PT) é a primeira vereadora negra eleita pelo município de Joinvile, em Santa Catarina. Foto: Divulgação

Ana Lúcia Martins (PT) é a primeira vereadora negra eleita pelo município de Joinvile, em Santa Catarina. E desde a publicação do resultado das urnas, no domingo (15), passou a receber ataques nas redes sociais. A delegacia local de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) instaurou inquérito na quarta-feira (18) por injúria racial e ameaça, após o registro de ocorrência pelos mesmos crimes.

A vereadora eleita recebeu 3.126 votos, foi a sétima mais votada de Joinvile, e ocupará uma das 19 cadeiras na Câmara a partir de janeiro. Ana Lúcia, de 54 anos, conta que, antes mesmo de sair o resultado das urnas, começou a receber os ataques, depois agravados por duas ameaças. “Por meio de um perfil fake, recebi, por duas vezes, ameaças de morte, evidenciando que o problema central era eu ser a primeira mulher negra eleita da cidade”, disse.

Nazistas – Pessoas que dizem integrar uma facção autodenominada “juventude hitlerista” publicaram mensagens de ódio e com ameaças de morte. Um dos comentários direcionados a Ana Lúcia, por um perfil incialmente não identificado, dizia: “Agora só falta a gente matar ela [sic] e entrar o suplente que é branco”. Pesquisadores apontam existir ao menos 69 células neonazistas em Santa Catarina, de 340 espalhadas pelo País.

Ainda no dia eleição, as redes sociais de Ana foram invadidas. Fotos e dados da biografia da candidata foram apagados. Ela disse ter sido alvo também de comentários velados por um radialista da cidade. “Ele deixou bem claro que o meu mandato não é bem-vindo em Joinville”, disse a futura parlamentar, ouvida pela polícia.

O PT divulgou nota repudiando as ameaças. A advogada do partido está prestando apoio e acompanhou Ana na delegacia. “Diante desse gravíssimo fato, manifestamos nossa solidariedade e apoio à companheira Ana Lúcia Martins e esperamos que as autoridades atuem de maneira rápida no intuito de descobrir e responsabilizar os autores, para que sejam levados à justiça”, diz um trecho da nota.

Porto Alegre — Valter Nagelstein (PSD), que foi candidato a prefeito, criticou de maneira racista os vereadores eleitos pelo Psol na capital gaúcha. Dos 36 recém-eleitos, cinco são negros – um recorde. Em 2016, apenas um vereador negro era eleito. “Muitos deles jovens, negros. Vereadores sem nenhuma tradição política, sem nenhuma experiência e nenhum trabalho e pouquíssima qualificação formal”, afirmou Nagelstein em mensagem de áudio dirigida a seus seguidores.

Para a vereadora Laura Sito (PT), a declaração reflete “o ódio da elite” brasileira. Após repercussão, o Núcleo de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) emitiu uma nota de repúdio intitulada “Valter Nagelstein não representa a comunidade judaica gaúcha”.

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