UTIgates põe deputadas Liliane Roriz e Celina Leão na mesma mira

“Jansen, aquele juiz se chama Jansen. Ele que me sacaneou”. Ao falar do processo que enfrentava na Justiça, Liliane Roriz (PTB) demonstrou raiva e preocupação. Bateu na mesa e alterou a voz, até então bastante tranquila. A declaração sobre o magistrado Jansen Fialho de Almeida, que a condenou por improbidade, foi gravada durante uma conversa com a deputada Celina Leão (PPS). O áudio, entregue ao Ministério Público do Distrito Federal, é o principal eixo da investigação sobre um esquema de cobrança de propina na Câmara Legislativa. Celina e os deputados que compõem a Mesa Diretora são acusados de cobrar propina para liberar recursos para empresas de UTI. O MP investiga o caso, mas já encontrou indícios de corrupção.

 

O ímpeto de Liliane em denunciar a presidente da Câmara Legislativa e mais cinco colegas de parlamento foi um abraço de afogados. A expressão ilustra uma frustrada tentativa de salvamento, que acaba com todos os envolvidos asfixiados. A data escolhida pela filha caçula do ex-governador Joaquim Roriz para expor as entranhas da Câmara simboliza os propósitos por trás das revelações: as denúncias de cobrança de propina envolvendo os colegas veio à tona no mesmo dia em que a parlamentar seria julgada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do DF. A inelegibilidade e o banimento da vida pública são uma perspectiva real para a família Roriz. Celina Leão, considerada uma traidora pelo clã e flagrada em uma conversa comprometedora sobre a destinação de recursos públicos, pode acabar abraçada à rival Liliane – ambas submersas na vida política da capital.

Recentemente, Liliane virou ré em uma ação penal pelo crime de lavagem de dinheiro. O processo criminal, que será apreciado pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça, foi aberto para julgar a conduta da distrital pelo suposto recebimento de apartamentos por parte de empresários, como retribuição a favores realizados pelo então governador Joaquim Roriz.

Degola
Na política, Liliane está na corda bamba. A distrital é alvo de três processos de cassação e, entre os integrantes da Câmara, o clima é favorável à degola da parlamentar. Juridicamente, a situação de Liliane é ainda mais complicada. A expectativa do MP é de que, nos próximos meses, saia uma condenação em segunda instância por improbidade administrativa contra Liliane. As acusações também são relativas ao suposto recebimento fraudulento de imóveis.

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