União de apoiadores de Lula e Bolsonaro

Cidade Estrutural – Foto: Chico Sant’Anna

Com uma população estimada em 45 mil pessoas e bem pertinho do Palácio do Buriti, a cidade Estrutural tem tradição em luta e de se antepor ao governo de plantão. Já nasceu assim. Trabalhadores sem moradia ocuparam a borda do lixão e fizeram crescer uma comunidade que, embora tenha os menores níveis escolares do Distrito Federal, possui uma população participativa nas questões políticas. E colocar saia-justa em governante não é problema. Foi assim com Cristovam Buarque, com Rollemberg e agora com Ibaneis.

Na cidade existe um movimento forte de lideranças comunitárias contrárias a atual administração, comandada por Germano Guedes (PRB). Agrupamentos que apoiaram outros candidatos nas eleições passadas, e mesmo gente que apoiou Ibaneis, querem uma fatia da Estrutural.

E o que parecia impossível está se materializando: uma articulação que congrega desde apoiadores de Bolsonaro a Lula, de Eliana Pedrosa a Júlio Miragaya, passando por Rosso e Fraga. Todos apoiando uma chapa que disputará, no dia 19 de maio, o comando do Conselho Comunitário da Estrutural. Do outro lado, uma chapa apoiada por microempresários locais e com simpatia da administração regional.

No centro de tudo isso está a região das Chácaras Santa Luzia, uma franja de terra próxima ao Parque Nacional, cuja desocupação total foi determinada pela Justiça ainda no governo Rollemberg. Com apoio de lideranças locais, a área vem sendo constantemente ocupada, apesar das remoções.

Segundo denúncias, por lá tem gente que não tem casa para morar, mas também tem pessoas detentoras de moradia na própria Estrutural e que buscam um ganho financeiro extra. A Chapa 2, de oposição – que reuniu pessoas de diferentes ideologias – defende a regularização da ocupação.

Já a Chapa 1, que reza na cartilha governamental, defende que o local seja preservado, como definiu a Justiça, inclusive como proteção ao Parque Nacional de Brasília, a Água Mineral.

Vitória é credencial para 2022

Os Conselhos Comunitários estão previstos na Lei Orgânica do DF. Possuem funções consultiva e fiscalizadora. Em tese, todos os projetos de uma cidade devem passar pelo crivo dos conselhos – mesmo que esses não tenham poder deliberativo.As administrações regionais devem ainda prestar contas aos Conselhos.

É certo que o agrupamento vencedor se credenciará como força política para 2022. Entretanto, ter um Conselho opositor nos calcanhares não é uma boa perspectiva. Agnelo Queiroz sentiu isso quando os Conselhos Comunitários do Plano Piloto se insurgiram contra sua proposta de PPCUB.

Na Estrutural, o clima que já era tenso, tende a ficar ainda mais esgarçado caso a chapa de oposição vença. A própria permanência do administrador pode ficar fragilizada e, por consequência, o governador Ibaneis terá um polo ruidoso a poucos quilômetros do Buriti.

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