UnB na vanguarda contra a pandemia

A contribuição da Universidade de Brasília no combate à pandemia é ampla, envolvendo todas as áreas do conhecimento. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Universidade de Brasília publicou, segunda-feira (27), um estudo com diagnóstico sobre a pandemia do novo coronavírus no DF. Trata-se da “Nota Técnica nº 1 – Cenários da epidemia de Covid-19 no Distrito Federal”, elaborada, neste mês de abril, pelos pesquisadores associados do Observatório PrEpidemia.

A Nota Técnica mostra a evolução da doença sem as medidas de contenção, como o isolamento social, que o GDF começou a flexibilizar antes de a cidade atingir o pico da pandemia, previsto para os meses de maio e junho. A previsão do documento da UnB é a de que, sem o isolamento, o pico irá se estender até dezembro, com um índice alarmante de contaminações e mortes.

Em artigo publicado na imprensa no dia do aniversário de Brasília, a reitora Márcia Abrahão Moura declara que nestas últimas semanas a universidade tem demonstrado de forma contundente seu nível excelente de competência e comprometimento com a sociedade, e mostrado que a instituição está aberta e engajada na busca de novos conhecimentos e na condução de soluções que amenizem os impactos da pandemia.

“Nossa comunidade tem atuado de diversas maneiras: Estudos do vírus em si (com o sequenciamento do genoma do Sars-Cov-2, por exemplo), pesquisas sobre a eficácia de medicamentos e apresentação de alternativas para o enfrentamento da doença, abarcando todas as áreas do conhecimento”, escreveu.

A contribuição da UnB no combate à pandemia é ampla. Vai desde esclarecimentos sobre o contágio, a prevenção e as formas de tratamento em caso de contaminação até a fabricação de respiradores e outros instrumentos da alta tecnologia científica e médica.

Desde a primeira hora, quando o primeiro infectado foi identificado na capital do País, a universidade presta serviços científicos, acadêmicos e de extensão para evitar uma tragédia sanitária e social no DF.

Iniciativas organizadas em comitê

Reitora da UnB, Prof. Márcia Abrahão diz que Unb espera o dinheiro para executar parte dos projetos. Foto: Luis Gustavo/Secom Unb

Márcia Abrahão informa, em seu artigo, que as iniciativas foram tão numerosas que a universidade decidiu organizá-las por meio de um Comitê Específico de Pesquisa, Inovação e Extensão da Covid-19, bem como a criação de uma plataforma digital que reúne todas as atividades desenvolvidas para combater o novo coronavírus e oferecer proteção à população do DF e Entorno.

A plataforma é um site repositório de todas as iniciativas. Ela é acessível pelo link www.repositoriocovid19.unb.br. “Uma chamada pública para a prospecção de projetos selecionou 115 propostas de excelente qualidade. Com apoio da Secretaria de Saúde do DF, da Secretaria de Ciência e Tecnologia e da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAPDF). Temos a perspectiva de conseguir R$ 30 milhões para dar início à execução de parte dos projetos”, afirma Márcia.

Plataforma digital incentiva cooperação

Uma plataforma digital, por sua vez, mostra os esforços da universidade para o enfrentamento da pandemia e incentiva a cooperação entre pesquisadores. É nesse ambiente que estão reunidas todas as iniciativas que a UnB desenvolve em diferentes áreas do conhecimento contra o novo coronavírus.

O “Repositório digital Covid-19 UnB em Ação” dá visibilidade às variadas frentes de atuação e de abordagens para lidar com a emergência em saúde pública, além de facilitar a busca e o agrupamento dessas informações em um só espaço.

Nota publicada no site da UnB mostra que, neste momento de extrema retirada do financiamento das pesquisas científicas desenvolvidas nas universidades públicas e na graduação, um mecanismo que sistematiza e armazenas as informações produzidas pela UnB para enfrentamento da pandemia é uma necessidade. “É preciso que as pessoas vejam a importância da UnB para o DF e o Brasil”.

Os comitês Gestor do Plano de Contingência em Saúde da Covid-19 (Coes) e de Pesquisa, Inovação e Extensão de Combate à Covid-19 (CPIE) desenvolveram a plataforma em parceria com o Laboratório de Inteligência de Redes, da Faculdade de Ciência da Informação (FCI), e o Laboratório Avançado de Produção, Pesquisa e Inovação em Software (Lappis), da Faculdade do Gama (FGA).

Um dos idealizadores é o professor da FCI, Dalton Martins. Ele ressalta que o local virtual visa também a favorecer a interação entre pesquisadores, estratégia que ajuda a ampliar as colaborações e maximizar o impacto das ações em andamento.

“Essa transparência não só fortalece os pesquisadores e a comunidade acadêmica a entenderem o que está sendo feito e como podem colaborar, como também pode apoiar a sociedade a encontrar respostas, entre o que a universidade está produzindo, para as suas demandas e necessidades nesses tempos de pandemia”, destaca o docente, que coordena o Laboratório de Inteligência de Redes.

Atividades da UnB de combate à covid-19

Nos laboratórios, pesquisadoras procuram a cura para a Covid-19. Foto: André Gomes/Secom Unb

Desde março, a UnB tem publicado estudos e notas, em parceria com outras instituições, sobre o novo coronavírus. No início da pandemia, publicou uma nota técnica junto com a USP e a UFRJ. Os pesquisadores têm atuado desde a instrução sobre prevenção e fabricação de respiradores até aplicação de testes para detecção da covid-19 e estudos laboratoriais para encontrar uma vacina ou um medicamento capaz de deter a sanha do coronavírus no corpo humano.

Os Institutos de Física, Química e Biologia, entre outros, não param. A UnB se dedica a produzir conhecimento novo para proteger e defender a populaçã. Todas as áreas do conhecimento estão com foco na produção de pesquisa científica para o combate ao novo coronavírus. São tantas as iniciativas que os projetos foram classificados por categoria, tipo de projeto e área de conhecimento.

Na divisão por “categorias”, há 12 áreas que reúnem 97 projetos que vão desde “ações para categorias vulneráveis e aspectos sociais, econômicos e ambientais até desenvolvimento de fármacos e vacinas, ensaios clínicos, desenvolvimento de testes e produção de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI).

Na classificação por tipo de projetos, cinco campos reúnem 186 pesquisas em andamento nas áreas de extensão, iniciativa externa, inovação, pesquisa e serviço tecnológico. Na Faculdade de Tecnologia, por exemplo, os departamentos têm produzido resultados científicos excelentes, como criação de equipamentos, entre outros. As atividades de extensão têm ajudado na coleta de informações preciosas para traçar o perfil da doença no DF e Entorno.

Na divisão por áreas de conhecimento, nove campos agregam 166 projetos em curso. Recentemente, o Comitê Específico de Pesquisa, Inovação e Extensão da Covid-19 emitiu uma nota orientando a manutenção do distanciamento social pelo Governo do Distrito Federal.

Parceria com o HUB para produção de EPI

Uma parceria da UnB com o HUB tem resultado em fabricação de máscaras e luvas para médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde que estão na linha de frente nos hospitais. Foto: Beto Monteiro/Secom Unb

Uma parceria da UnB com o Hospital Universitário (HUB) tem resultado em fabricação de máscaras e luvas para médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde que estão na linha de frente nos hospitais. Máscaras e luvas fabricadas na universidade foram entregues no HRAN, referência em coronavírus no DF.

A UnB também tem elaborado conhecimento, contribuições e mecanismos para ajudar o DF e o Entorno, bem como cidades próximas dos estados vizinhos, a superarem a crise sanitária. Além da própria fabricação de luvas, máscaras e álcool em gel, a universidade produz pesquisa.

O Instituto de Química desenvolve máscaras e luvas úmidas de proteção. Outra pesquisa estuda a descontaminação e o processo de reutilização de respiradores de máscara facial com filtro N95.

No de Biologia, além de oferecer produção de testes para diagnóstico da covid-19, o Instituto foi o primeiro no DF e o terceiro no Brasil a sequenciar o genoma do coronavírus, em parceria com o Laboratório Sabin, revelando capacidade física e intelectual para a produção ciência.

Diagnóstico pela leitura de radiografias

Uma das grandes descobertas foi a identificação da doença por raio-x. Foto: Raquel Aviani/Secom Unb

Dois laboratórios da universidade desenvolveram um sistema que pode dar diagnóstico para covid-19 por meio da leitura de radiografias. Recentemente, cinco projetos da UnB foram contemplados com recursos do MEC. Um deles vai beneficiar 100 localidades, entre regiões administrativas do DF e cidades que compõem a Região Integrada de Desenvolvimento do DF (Ride) e municípios do Centro-Oeste e de Minas Gerais.

A universidade também garante auxílios a estudantes de baixa renda durante a pandemia. A Faculdade UnB Gama desenvolve projeto de implementação de acessório para ventilação múltipla. A Faculdade de Tecnologia desenvolve sistemas de controle em volume e pressão e adequado às condições sanitárias para pacientes em UTI devido à covid-19.

ADUnB investe no fortalecimento da pesquisa

Vice-presidente da ADUnB, Jacques Novion. Foto: Divulgação

A Associação dos Docentes (ADUnB) – sindicato dos professores da UnB – também se uniu à universidade e investe em ações que ajudam a combater o novo coronavírus. Uma delas é o investimento de R$ 150 mil em projetos e ações para ajudar os profissionais que estão na linha de frente no combate à covid-19, além de outros projetos. Esse montante seria destinado, originalmente, à festa da ADUnB, costumeiramente realizada no primeiro semestre do ano.

“A atuação do sindicato, nesse momento ímpar, é mais que necessária, é fundamental. Busca-se atuar de braços dados com quem está na linha de frente contra a pandemia e pela saúde pública. Temos, entre eles, vários colegas que estão dedicando tempo, estudo, compromisso, envolvimento e sacrifício na busca de alternativas para o combate à covid-19”, explica o vice-presidente da ADUnB, Jacques Novion.

Por isso, segundo ele, essa ação é considerada de grande importância. “Não consiste em ‘assistencialismo’ ou ‘filantropia’, como habitualmente nos querem fazer crer aqueles que estão mancomunados com o discurso do atual governo”, acrescenta.

Ajuda a professores – A ADUnB auxilia docentes que estão fora do País. Em março e abril, a entidade buscou autoridades e órgãos públicos para repatriar professores que estão em atividade acadêmica representando o Brasil no exterior. Por meio de uma campanha na Internet, a AdUnB recebeu o pedido de ajuda de 15 professores da UnB que se encontram nessa situação.

Disponibilizou atendimento jurídico, durante o período de pandemia, para os docentes acessarem remotamente. Confeccionou quatro mil máscaras e doou para o HUB. Um grupo de professores da universidade e voluntários confeccionou as máscaras para atender os profissionais de saúde.

Perto de você

A entidade divulgou em seu site contatos de serviços de entrega de legumes, verduras, frutas e flores, além de alimentos prontos. A ideia é colaborar com pequenos produtores e comerciantes.

Lançou a campanha “ADUnB Perto de Você”, para oferecer aos associados acima de 65 anos serviço gratuito de entrega. Para solicitar, basta ligar 61-3347-8569 ou pelo WhatsApp 61-98493-8382. O serviço está disponível das 8h às 18h.

Jacques Novion diz, também, que a entidade tem “mostrado grande preocupação com a segurança e a saúde de nossos colegas, da comunidade e dos profissionais da área de saúde, que sofrem, dentre outros fatores, com a carência de Equipamentos Básicos de Proteção Individual (EPI)”.

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