Uma luz limpa no fim do túnel

Felipe Octavio Kubitschek, 28 anos, criador e executor do empreendimento das Organizações Paulo Octavio. Foto: Lorrane Oliveira

Há uma ínfima possibilidade de a lâmpada que ilumina o ambiente em que você esteja lendo esta matéria, ou o computador no qual acessou o site ou as redes sociais do Brasília Capital, estejam conectados a uma rede da Companhia Energética de Brasília (CEB) abastecida pela energia fotovoltaica produzida pela usina de energia solar, inaugurada em novembro, em São Sebastião, pelas Organizações Paulo Octavio (OPO).

A usina entrega três Mega Watts à CEB desde 1º de dezembro. Isso equivale, segundo Felipe Octavio Kubitschek, 28 anos, criador e executor do empreendimento das Organizações Paulo Octavio, “numa conta de padaria”, a 0,08% dos 3.730 MW que a estatal distribui, mensalmente, a todo o DF, de energia hidrelétrica produzida em Furnas.

Embora o percentual ainda seja mínimo, o jovem empresário acredita que este será o caminho para a capital da República chegar, em alguns anos, ao patamar de autossustentação com o uso exclusivo de energia limpa, produzida a partir da captação da luminosidade solar natural do Centro-Oeste brasileiro.

“Todo mundo admira o céu de Brasília. Inclusive eu, que sempre achei este céu algo fenomenal. Paralelamente a isso, sempre achei fascinante a ideia de poder captar a energia do sol”, conta. Segundo Felipe Octavio, no início, a ideia era muito futurista e havia o impeditivo de ele não ser engenheiro e, sim, estudante de Economia. “Só quando terminei o curso e voltei para o Brasil, me aprofundei no assunto. E, finalmente, executamos a obra”.

Sustentável e barato

Segundo Felipe, a usina de São Sebastião é a primeira de muitas que a OPO pretende instalar no DF. A energia produzida lá é suficiente para abastecer 2.800 residências.

O projeto da OPO é inicial e implanta energia limpa em prédios comerciais de Brasília com o objetivo de fornecer um modelo sustentável de eletricidade e de reduzir o valor das contas de luz. “A ideia de realizar esse projeto surgiu quando eu ainda era estudante e li uma matéria na IstoÉ acerca de um estudo da Universidade de Brasília sobre o imenso potencial do DF para a fotovoltagem“, conta Felipe Octávio.

Segundo ele, a usina de São Sebastião é a primeira de muitas que a OPO pretende instalar no DF. Para produzir os 3 MW/mês, foram instaladas nove mil placas, distribuídas em três terrenos planos de 20 mil metros quadrados, cada um. A energia produzida lá é suficiente para abastecer 2.800 residências.

“Cada Megawatt atende 933 residências, mas nossa ideia é usar esses 3 MW em prédios comerciais. Temos muitos prédios comerciais na cidade e a gente quer reduzir nossa despesa com energia, de preferência com energia limpa. Queremos investir em uma forma de energia sustentável. O mundo precisa buscar coisas mais sustentáveis”, afirma Felipe.

Distribuição feita pela CEB

A distribuição da energia produzida na usina fotovoltaica da OPO é feita por meio da infraestrutura da CEB. A unidade de São Sebastião produz, joga na rede da CEB e, no fim do mês, a estatal abate o quantitativo nas contas de clientes indicados pela empresa produtora. “A energia vai para a rede total do DF e, no final, a CEB compensa na conta do cliente que irá usufruir da energia que produzimos”, explica.

O empreendimento demorou 6 meses para ser construído e, nesse período, gerou 60 empregos diretos.

O empreendimento demorou 6 meses para ser construído e, nesse período, gerou 60 empregos diretos. As placas são de origem chinesa, mas foram adquiridas de uma distribuidora nacional. “Foi um investimento considerável em termos financeiros. Mas todo ele foi erguido com recursos próprios do nosso grupo empresarial. Esperamos que o retorno comece a acontecer dentro de 7 a 8 anos, embora logo de início, de 30 a 40 dias, a gente comece a ter redução no valor da conta”, disse.

Linhagem política

“Queremos continuar investindo na cidade e fazendo obras porque tem esse legado da família Kubitschek”. Foto: Lorrane Oliveira

Felipe Octavio é consciente do peso dos sobrenomes que carrega – do pai, ex-governador Paulo Octavio, e do bisavô, o ex-presidente Juscelino Kubitschek. “Temos uma boa expectativa para o futuro. Meu bisavó, JK, construiu a cidade. Meu pai também é de uma família pioneira. Meu avô paterno, Cléo Pereira, foi o primeiro dentista profissional do DF. Meu pai ajudou a construir um pouco do que Brasília é hoje. Temos figuras ilustres na família. Diante desse passado, quero projetar um futuro fazendo a minha parte. Sei que ainda é bem pequena, mas de pouquinho se ergue grandes monumentos”, afirma.

Felipe revela que seus pais querem que ele e os irmãos continuem empreendendo no DF e dando continuidade ao legado do bisavô materno, JK; dos avôs paterno e materno e do seu pai. “Queremos continuar investindo na cidade e fazendo obras porque tem esse legado da família Kubitschek. Por causa desses nomes de peso que carregamos na nossa linhagem, temos uma pressão forte, tanto empresarial como política. Mas a gente tenta controlar isso no dia a dia”.

Nascido em Brasília, Felipe Octávio Kubitschek Barbará Pereira é filho de Anna Christina Kubitschek, neta de JK – filha de Márcia Kubitschek – e do político e empresário Paulo Octávio Pereira. Assim como seu irmão, André Octávio, e seu pai, Paulo Octávio, Felipe é filiado ao PSD, e não descarta atuar na política futuramente. “Hoje estou focado 100% na empresa e só pretendo apoiar meu pai no partido político”.

E completa: “Se a família resolver investir na política, o mais provável é que meu irmão, André, seja o candidato. Mas acho que ele tem um percurso a ser caminhado. É melhor iniciar a carreira como deputado distrital, para conhecer melhor Brasília. Mas, por enquanto, tudo isso é só especulação. Nada confirmado ainda”, que concluiu o ensino médio na Escola Americana, e foi fazer faculdade nos Estados Unidos, onde se formou em Economia pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Ficou 4 anos por lá e, quando se formou, trabalhou durante 2 anos na Mesa de Operações do Banco Safra. Voltou para Brasília a convite do pai, Paulo Octávio, para assumir função de executivo no grupo familiar.

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