Uma cronista brasiliense

Quase todos nós, vítimas do monopólio visual da TV Globo, já vimos ou conhecemos de nome uma atriz chamada Maria Paula. Moça bonita e talentosa, aliás como são todas as mulheres nascidas aqui ou que se tornaram brasilienses de coração – ela ganhou notoriedade junto ao grande público  nacional de teleouvintes ao enriquecer o time do humorístico Casseta & Planeta. Mas, sinceramente, muito embora admirasse a sua óbvia beleza de mais de 1 metro e 80, não me incluíra ainda no rol de seus fãs. E simplesmente porque, por motivos absolutamente pessoais, não sou lá muito chegado àquele tipo de humor grotesco.

Eis que de repente, Maria me aparece escrevendo crônicas na penúltima página da Revista do Correio, todos os domingos. E pouco a pouco foi me pegando pelo pé, justamente a mim, pretenso consumidor de bom gosto em se tratando de leitura, resquícios de uma juventude que tinha como passatempo a Literatura. Hoje, confesso, sou leitor de cabresto dessa cronista brasiliense que está sempre atenta aos fatos locais e a outros de maior extensão, como no caso dos políticos que desfrutam das benesses do Congresso Nacional, com raríssimas exceções.

No que diz respeito a esses caras-de-pau que não têm vergonha de dizer que “pensavam” que o 14º e o 15º Salários (que somam mais de 50 mil reais) fossem apenas “ajuda de custo”, a cronista não os perdoa: volta e meia, dá-lhes justas chibatadas. No texto do último domingo, exaltou o show de artistas brasileiros no encerramento da Olimpíada, em Londres, inclusive a apresentação de Marisa Monte cantando uma das Bachianas do mestre Villa-Lobos. Afinal, os gringos precisam saber que Johann Sebastian Bach também faz parte de nosso repertório musical.

Porém na lista das muitas crônicas que li desta brilhante jornalista, a que continua me tirando o sono (justamente eu, que tenho netos brasilienses adolescentes), foi aquela em que se refere ao número cada vez maior de casas noturnas de nossa cidade, bares e boates, sempre lotadas de moças e rapazes, que têm como único e principal lazer ingerir bebidas alcoólicas e jogar conversa fora. Com sua fina sensibilidade, Maria Paula foi a primeira a colocar publicamente em pauta um problema que precisa ser equacionado, antes que seja tarde. E que interessa a todos nós, pais, educadores e autoridades.

 

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