Um Senador do Bem

Com base no meu testemunho de veterano jornalista, me arrisco a afirmar que das centenas de políticos que cumpriram mandato no Senado Federal nos últimos anos, pouquíssimos poderiam merecer o título acima (com “b” maiúsculo), na base do antes, durante e depois, a exemplo de Lindberg Aziz Cury. Descendente de libaneses, nascido em Anápolis e formado em Direito em Goiânia, ele fixou raízes em Brasília a partir de 1959, véspera da cidade tornar-se Capital do Brasil em 21 de abril de 1960. Desde então, fruto do suor de seu trabalho construiu fortuna ao fundar, em sociedade com um tio e um primo uma revendedora de veículos automotivos, a Planalto de Automóveis, que poucos anos depois ele assumiria sozinho o controle acionário por desistência espontânea de seus dois sócios. Criando então mais quatro subsidiárias da Planalto, chegou ao auge como empresário do setor.

Paralelamente ao sucesso empresarial, elegeu-se para a presidência da Associação Comercial do Distrito Federal em 1977, reelegendo-se por 17 anos. Na ocasião, transformou a ACDF numa trincheira da democracia brasileira, aberta a estudantes e líderes de esquerda. E diga-se de passagem, isto em plena vigência dos anos de chumbo da Ditadura Militar. Ao contrário dessa notoriedade que o levaria ao Senado Federal, ele sofreria um baque empresarial devido à ação traiçoeira de um novo sócio. Do muito que possuía, perdeu quase tudo: os vários imóveis e reservas bancárias, menos a dignidade e a moradia que construiu com a ajuda de sua esposa e companheira, a empresária Marta Bittar.

Na circunstância do “Antes” de seu mandato parlamentar, Lindberg já justificava o adjetivante do Bem, ajudando os seus semelhantes. Exemplo: transportando em seu Galaxie casais de noivos pobres às cerimônias de casório. No “Durante” de seu mandato como Senador, foi um dos “cabeças” da bancada parlamentar brasiliense, travando verdadeira batalha em plenário pelo Fundo Constitucional do DF, aprovado na sessão legislativa de 17 de dezembro de 2002. Transformado em Lei, esse Fundo proporciona ao GDF, anualmente, bilhões de reais para custear as áreas de Saúde, Segurança e Educação.

Na fase atual do “Depois”, ao lado de Marta e dos quatro filhos Lindberg Jr., Glenda, Breno e Sarah, todos vitoriosos em suas respectivas profissões, (com os três primeiros presenteando-lhe oito netos), o Senador do Bem, Lindberg Cury, continua feliz da vida ajudando terceiros anonimamente. E pretende escrever seu terceiro livro, após os dois best-sellers: “E Assim Estava Escrito”, sua biografia, e “Do Cedro ao Serrado”, a história de Anápolis e dos imigrantes libaneses, entre os quais seus pais: Aziz e Sarah.

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